terça-feira, 31 de março de 2020

Mas...


O amor de Deus está presente por toda parte. A natureza fala da sua grandeza em cada detalhe.

E o amor de Deus é a própria esperança se derramando sobre toda a criação.

Quando observamos as cinzas de um campo queimado, talvez pensemos que a vida ali se extinguiu para sempre.

Mas em pouco tempo as plantas brotam, mais verdes que nunca, mostrando que nada consegue deter a vida.

Quando vemos os escombros deixados pela fúria das tempestades, pode nos parecer que nada mais poderá existir em tão deprimente paisagem.

No entanto, em breve tempo as mãos hábeis e competentes dos homens deixam o local em condições de ser habitado novamente.

Quando olhamos vastas extensões de terras esturricadas pela estiagem, temos a impressão de que a vida bateu em retirada, para sempre.

Mas, para espanto de todos, a chuva cai de mansinho, penetrando o solo castigado, acordando as sementes que jaziam adormecidas e, em pouco tempo o que era deserto se converte em imenso jardim multicolorido.

É assim que Deus nos fala da esperança, a cada instante.

Foi observando esses pequenos detalhes da natureza, que um poeta escreveu o poema que reproduzimos a seguir:

E eu que achei que a lua não brilhasse sobre os mortos no campo da guerrilha, sobre a relva que encobre a armadilha ou sobre o esconderijo da quadrilha,... Mas brilha.

E achei que nenhum pássaro cantasse, se um lavrador não mais colhe o que planta, se uma família vai dormir sem janta com um soluço preso na garganta,... Mas canta.

Também pensei que a chuva não regasse a folha cujo leite queima e cega, a carnívora flor que o inseto pega ou o espinho oculto na macega,... Mas rega.

Pensei, também, que o orvalho não beijasse a venenosa cobra que rasteja, no silêncio da noite sertaneja, sobre as ruínas de esquecida igreja,... Mas beija.

Imaginei que a água não lavasse o chicote que em sangue deprava, quando, de forma monstruosa e brava, abre trilhas de dor na pele escrava,... Mas lava.

Apostei que nenhuma borboleta - por ser um vivo exemplo de esperança - dançaria contente, leve e mansa sobre o túmulo de uma criança,... Mas dança.

E eu pensei que o sol não mais aquecesse os campos que a guerra empobrece, onde tomba do homem a própria espécie, e a sombra da dor enlouquece,... Mas aquece.

Por isso achei que eu não mais fizesse poema algum, após tanto embaraço, tanta decepção, tanto cansaço e tanta espera, em vão, por teu abraço,... Mas faço.

***

O mesmo calor solar, que mantém no estado líquido a água dos rios e dos mares, conduz a seiva à fronde das árvores e faz pulsar o coração dos abutres e das pombas.

A luz que espalha o verde nos prados, e nutre as plantas com um sopro impalpável, também povoa a atmosfera de maravilhosas belezas aéreas.

O som que estremece a folhagem, canta na orla dos bosques, ruge nas plagas marinhas.

Em tudo vemos, enfim, uma correlação de forças físicas, que abrange num mesmo sistema a totalidade da vida sob a comunhão das mesmas leis. Que são as soberanas leis divinas.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na poesia intitulada Mas..., do livro os Pratos de Vovó, de autoria de Antonio Roberto Fernandes e no cap. II do livro Deus na Natureza, Camille Flammarion, ed. FEB.


















segunda-feira, 30 de março de 2020

A higiene da mente é preponderante para a paz interior...


É preciso saber que a melancolia é um estado doentio da alma.

Podemos - o que até certo ponto é normal - ter momentos de tristeza e pensamentos negativos, mas nutri-los diariamente e mantê-los um longo tempo conosco seria o mesmo que guardar alimento estragado na geladeira.

Assim como a higiene do corpo e as roupas limpas e asseadas são sempre necessárias, também a limpeza em sua mente é indispensável. Jogue fora todo pensamento que não possa ser aproveitado para a construção de sua felicidade.


Humberto Pazian










sábado, 28 de março de 2020

Pequenas alegrias...


Às vezes, você acorda e imediatamente os problemas lhe tomam a mente, impedindo seus olhos de contemplar as belezas que estão ao seu redor.

São tantos desgostos que em seu mundo não há espaço para alegrias... É como se a vida se resumisse em obstáculos e mais obstáculos, desafiando sua capacidade de superação.

Que importa se o sol está brilhando, se a sua alma está envolta em sombras?

Como admirar a beleza, se seus olhos estão nublados pelas lágrimas contidas no peito, denunciando preocupações com a própria existência?

Em seu mundo não há espaço para alegrias...

Aliás, em seu mundo não há alegrias...

Mas, será que suas impressões retratam mesmo a realidade?

Ou será que ao seu redor há uma outra realidade esperando um pouco da sua atenção?

Se você parar, alguns instantes, talvez possa ouvir a resposta. Mais do que isso: você sentirá a resposta...

Um breve olhar mais detido e perceberá que ao seu lado existem pessoas. E que essas pessoas têm um coração que pulsa como o seu.

Pare um pouco e ouça o que elas estão a lhe dizer, mesmo que seus lábios estejam mudos.

Observe quantos sorrisos se abrem a sua volta. Note que perto, bem perto mesmo, tem uma criança a brincar.

Você deve estar pensando: “como encontrar tempo para essas coisas quando é preciso lutar pela própria sobrevivência num mundo de competições?”

No entanto, enquanto você mergulha em seus problemas, as flores se abrem, silenciosas...

E não é só a beleza que elas lhe oferecem. Trazem também seu perfume...

Acaso ainda não percebeu o pequeno pardal, com seu canto, meio sem graça, a buscar alimento por entre automóveis e pedestres?

E o zumbir da abelha, buscando o néctar onde as flores escasseiam?

Talvez você não tenha notado, mas as dificuldades e a concorrência não são motivos de desânimo para a natureza, que luta com bravura, apesar das dificuldades.

Vale a pena olhar a pequena planta que brota na fenda estreita da calçada, em busca de um lugar ao sol, em meio aos pés apressados que passam sem notá-la.

Vale a pena observar os pássaros cantarolando, alegres, construindo ninhos para agasalhar as novas gerações que Deus lhes confia.

Vale a pena notar o sol, que espia por entre as nuvens só para dizer que está lá, apesar dos obstáculos.

É importante perceber que, apesar da escuridão da noite, o orvalho não deixa de beijar a flor...

Apesar da chuva torrencial, as formigas não desanimam, e reconstroem o ninho tantas vezes quantas eles sejam destruídos.

Assim, se a situação está difícil, tentando desanimar você com fatos deprimentes, faça como o Sol.

Espie por entre os obstáculos e perceberá muitas pequenas alegrias esperando para lhe dizer: “olá! Eu estou aqui para lhe fazer feliz.”

Desenvolva a sua capacidade de perceber as coisas boas, positivas e otimistas. Elas são em maior número do que os motivos de desânimo.

Pense nisso!

Se é verdade que as circunstâncias têm mil maneiras de lhe fazer chorar, também é verdade que não têm o poder de lhe tirar a alegria nem a vontade de viver.


Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.












quarta-feira, 25 de março de 2020

Lição da borboleta...


"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.

Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.

Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. 

Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. 

Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. 

Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças... e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria... e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade... e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem... e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor... e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores... e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi... mas eu recebi tudo de que precisava."

Viva a vida sem medo, enfrente todos os obstáculos e mostre que você pode superá-los. 


(Autoria desconhecida)






terça-feira, 24 de março de 2020

Dominando os impulsos negativos...

Você se considera uma pessoa capaz de controlar seus impulsos negativos?

De certa forma, os seres racionais possuem meios de dominar os sentimentos negativos, mas, de ordinário, nem todos o fazem.

Aristóteles, um dos grandes sábios da antiguidade, disse, com muita propriedade: qualquer um pode ficar zangado - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na intensidade correta, no momento adequado, pelos motivos justos e da maneira mais apropriada - isto não é fácil.

Salvo as raras e felizes exceções, não costumamos controlar, racionalmente, os impulsos negativos que brotam da nossa intimidade nos momentos de ira.

É muito comum, quando nos sentimos acuados, perdermos totalmente o controle das emoções e investirmos contra a primeira pessoa que tenha a infelicidade de cruzar o nosso caminho naquele momento.

Não passa pela nossa mente, turbada pela ira, que aquela pessoa não é responsável pela nossa desdita, e a agredimos com palavras ácidas.

Isso é muito comum acontecer com os pais em relação aos filhos. Se estamos nervosos ou cansados e a criança se aproxima para nos pedir algo ou fazer alguma pergunta, despejamos sobre ela todo o fel que estava engasgado.

E o pior é que, junto com as palavras, vão as nossas vibrações desequilibradas, que atingem os pequenos como uma bomba tóxica.

Não raro, as crianças absorvem essas vibrações e acabam enfermando.

De outras vezes, mesmo que não lhes falemos nada, elas sentem nossas emoções descontroladas e passam a apresentar sintomas de nervosismo e irritação.

Ademais, os profissionais da área já alertaram para os malefícios que a ira causa a quem a agasalha na intimidade.

Pessoas que se irritam com facilidade ou se deixam corroer pelo ódio, pelo rancor, não raro desenvolvem cânceres variados.

Assim sendo, vale a pena investirmos um pouco mais na educação dos nossos impulsos, para nosso próprio bem.

Seres racionais que somos, devemos ponderar, antes de qualquer explosão, se estamos nos zangando com a pessoa certa.

Se a intensidade da nossa ira está correta. Se o momento é adequado. Se os motivos são justos, e se a maneira é apropriada ou não.

Algumas pessoas dirão: "mas na hora da raiva a gente não pensa, por isso, não é fácil."

E não estamos dizendo que é fácil, mas afirmamos que é possível, basta um pouco de vontade.

Se fizermos uso da nossa razão antes de nos deixarmos tomar pela ira, certamente concluiremos que a atitude mais sábia é a de mantermos a calma, sempre.

***

Preparar a mente para as ações nobres requer disciplina e vontade firme.

E para que possamos assumir o controle das nossas emoções é preciso alimentar a mente com idéias saudáveis, e isso só se dá pelo conhecimento.

Estamos na Terra para evoluir, e Deus nos oferece os desafios para que os superemos com sabedoria.

Nossa posição social, obstáculos econômicos, compromissos familiares e profissionais, são lições importantes para o nosso crescimento pessoal.

Por isso, devemos estar atentos para fazer o melhor em todas as ocasiões, sempre amparados pela razão e o bom senso.


Redação do Momento Espírita











sábado, 21 de março de 2020

O bordado...


Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito.

Eu me sentava no chão, brincando perto dela, e sempre lhe perguntava o que ela estava fazendo.

Ela respondia que estava bordando.

Todo dia era a mesma pergunta e a mesma resposta.

Observava seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada, e repetia:

— Mãe, o que a senhora está fazendo?

Dizia-lhe que, de onde eu olhava, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso.

Era um amontoado de nós e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos. Eu não entendia nada.

Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente me explicava:

— Filho, saia um pouco para brincar e, quando terminar meu trabalho, eu chamo você, coloco-o sentado em meu colo e deixarei que veja o trabalho da minha posição, está bem?

Mas, com toda aquela curiosidade infantil, eu continuava a me perguntar lá de baixo:

"Por que ela usa alguns fios de cores escuras e outros claros? Por que eles me parecem tão desordenados e embaraçados? Por que estavam cheios de pontas e nós? Por que não tinham ainda uma forma definida? Por que demorava tanto para fazer aquilo?"

Bem mais tarde, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou:

— Filho, venha aqui e sente-se em meu colo; quero lhe mostrar uma coisa.

É claro que fui correndo, louco pra ver a sua "obra" acabada.

Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia acreditar!

Lá de baixo parecia tão confuso e, agora, vendo de cima, vi uma paisagem maravilhosa! Como podia ser?

Então, minha mãe me disse:

— Filho, vendo de baixo, tudo parecia confuso e desordenado porque você não via que na parte de cima havia um belo desenho. Mas, agora, olhando o bordado da minha posição, você sabe o que eu estava fazendo...

Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito:

— Pai, o que estás fazendo?

Ele parece responder:

— Estou bordando a sua vida, filho.

E eu continuo perguntando:

— Mas está tudo tão confuso, Pai, tudo em desordem... Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido. Os fios são tão escuros... Por que não são mais brilhantes?

O Pai parece me dizer:

— Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em Mim, e Eu farei bem o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e, então, você vai ver o plano da sua vida da minha posição!

Muitas vezes não entendemos o que está acontecendo em nossas vidas. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo. É que estamos vendo o avesso da vida. Do outro lado, Deus está bordando...

(Autoria Desconhecida)













A Importância da Pontuação...

  Um homem rico estava muito mal. Pediu papel e pena. Escreveu assim: Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a con...