sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Quando a dor chega...


Quando a dor chega, ninguém permanece indiferente, não importando suas causas.

Por vezes, chega através da doença física, minando a saúde antes inabalável.

De outras, é a dor da separação do ente amado, que segue para o mundo espiritual pelos braços da morte física.

E, também, pode se apresentar na feição de reveses morais, que atormentam muito mais a alma do que o corpo.

De toda forma, não importando por quais caminhos ela nos visite, sempre é presença contundente, alterando-nos as paisagens emocionais.

Alguns, ao enfrentá-la, o fazemos com galhardia, coragem, otimismo, entendendo o processo como passageiro, aguardando que dias tranquilos logo mais retornem.

Pautados na resignação que a fé oportuniza, mesmo que não entendamos as causas mais profundas da dor que nos atormenta, conseguimos compreender que esses dias difíceis são momentâneos, porque tudo é passageiro, nesta vida.

Contudo, outros, visitados pela dor, a encaramos como castigo, punição por algo que não conseguimos avaliar ou porque acreditamos se tratar de capricho da Divindade.

Então, sob o espectro da dor, reagimos com revolta, posicionando-nos como injustiçados, não merecedores de tal sina.

Há também os que interpretamos os processos de dor apenas como algo fortuito, obra do acaso, de algum azar hereditário ou de posturas inadequadas que tenhamos assumido em dias recentes.

De toda forma, a dor sempre será instrumento para nosso aprendizado.

Ela sempre traz consigo seu caráter pedagógico, em um convite ao cultivo das virtudes que ainda não nos dispusemos a acionar.

Trazemos todos um histórico de experiências difíceis, portadoras de inúmeras complicações emocionais ao longo da nossa trajetória de Espíritos imortais.

Desse rol de experiências, fruto do uso tantas vezes inadequado de nosso livre-arbítrio, trazemos, a cada nova existência física, necessidades inúmeras de aprendizado.

Como não nos dispomos ou não desenvolvemos maturidade e entendimento adequados sobre as finalidades da existência física, as dores nos chegam, propondo reflexões.

Quando isso ocorre pode ser convite para uma pausa, a fim de que promovamos um balanço das próprias ações.

Não há castigo Divino, nem existe acaso. Tudo tem sua razão de ser.

Há uma programação da Providência Divina para que tudo aconteça a seu tempo, da melhor maneira para o nosso avanço moral.

Se hoje a dor nos visita, perguntemo-nos o que podemos ou temos que aprender neste momento.

A dor é, sempre, uma bênção que Deus nos envia, permitindo-nos o ensejo de nos libertarmos dos equívocos ou alcançarmos o progresso, a fim de alçar voo rumo às virtudes que ainda dormem latentes na intimidade de nosso coração.

Disponhamo-nos a suportar a dor com heroísmo, a ouvir-lhe os aconselhamentos e as ponderações.

Aprendamos com ela. Não desperdicemos a chance que nos é ofertada.

Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita.
Em 5.10.2016.






















sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Milagres em todo lugar...


"Não há palavra capaz de dizer, quanto eu me sinto em paz perante Deus e a morte.

Escuto e vejo Deus em todos os objetos, embora de Deus mesmo eu não entenda nem um pouquinho...

Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa demais?

Por mim, de nada sei que não sejam milagres...

Cada momento de luz ou de treva é para mim um milagre, milagre cada polegada cúbica de espaço.

Cada metro quadrado de superfície da terra está cheio de milagres, e cada pedaço do seu interior está apinhado deles.

O mar é para mim um milagre sem fim: os peixes nadando, as pedras, o movimento das ondas, os navios que vão com homens dentro."


Walt Whitman, autor destes versos, confessa que não entende Deus, mas O sente profundamente nas coisas da vida.

Neste poema, intitulado "Milagres", ele vai descrevendo detalhada e apaixonadamente, tudo que lhe mostra com clareza a presença desses milagres.

Por vezes são coisas tão simples, como sentar à mesa e fazer uma refeição com sua mãe, ou sentar debaixo de uma árvore com alguém que ama, ou ainda observar os animais se alimentando no campo.

O poema é uma descrição de dezenas de imagens, situações e fatos, que ele considera como milagres.

Uma narração arrebatadora de alguém que consegue, simplesmente, perceber as belezas da vida.

Um encontro de uma alma com a riqueza do singelo.

Contemplação enlevada do que para muitos já passa despercebido, sem ser notado...

Onde foi parar nossa sensibilidade para essas coisas? Onde foi parar nosso encantamento com a vida?

Por que não enxergamos mais os milagres que cintilam no véu da noite, e que são cores sob o astro rei do dia?

Uma série de anúncios de televisão mostrou algo muito interessante. Em um deles, mostrava muitas pessoas fechadas num escritório, trabalhando.

Uma delas então, começava ir, de sala em sala, dizendo algo como "Venham ver! É incrível!"

A notícia se espalhou e todos começaram a sair correndo de seus postos de trabalho para irem em direção a uma grande janela que havia no prédio.

Quando finalmente todos chegaram lá, estavam anestesiados e encantados com a imagem: era um pôr-do-sol. E diziam: "Nossa, um pôr-do-sol, que lindo! Inacreditável!"

Possivelmente, há tanto tempo não viam o sol se pôr, que haviam esquecido quanto era belo.

Acostumamos com muitas coisas e deixamos de perceber o quanto são grandiosas.

Acostumamo-nos com as pessoas, e esquecemos de dizer o quanto são importantes para nós.

Acostumamos com tudo que temos, e nem temos mais tempo de agradecer...

Precisamos voltar a nos surpreender com a vida, com as pessoas, conosco mesmo.

Quantos "milagres" acontecendo neste exato instante?

Quanto mais pudermos identificá-los e senti-los, mais próximos poderemos estar deste estado d´alma que pode afirmar:

"Não há palavra capaz de dizer quanto eu me sinto em paz perante Deus e a morte.

Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa demais?

Por mim, de nada sei que não sejam milagres..."



Redação do Momento Espírita com base no poema "Milagres" de Walt Whitman, do livro Folhas de Relva, ed. Brasiliense.




























segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Escravos da palavra


Você já percebeu o quanto nos tornamos escravos das palavras que falamos? De como nos conduzimos por situações difíceis pela nossa própria fala?

Os pensamentos, enquanto guardados na intimidade da casa mental, são propriedade única e exclusivamente de quem os idealiza.

Porém, o pensamento que se converte em verbo falado, passa a ser de domínio público e deveremos responder pelos reflexos dos mesmos.

A palavra que edifica, enobrece, auxilia, é tesouro que dispensamos ao caminhar.

Porém, o verbo ácido da crítica destrutiva, do comentário maledicente buscando a desmoralização alheia, ou a acusação injusta do julgamento insensato, são dificuldades que amealhamos e das quais teremos que dar conta, uma a uma.

Assim, é atitude de sabedoria vigiarmos as palavras que saem de nossa boca. Pensar antes do falar é atitude sensata que nos poupa de muitos dissabores.

Para tanto, é imperioso cultivarmos a reflexão e autoanálise do que se passa em nosso mundo íntimo, pois que a boca fala daquilo que está cheio o coração, conforme nos alerta Jesus.

Alguns pesquisadores chegam a afirmar que circulam em nossa casa mental cerca de 95.000 ideias ao dia, das quais 85.000 são repetitivas, doentias, monotemáticas.

Para que o verbo se faça construtivo, é necessário o exercício da faxina mental, para que da mente possamos exteriorizar aquilo que não nos escravize negativamente.

O exercício do silêncio interior, do isolar-se alguns instantes diariamente do mundo para se encontrar consigo mesmo é fundamental.

Ao mergulharmos no silêncio de nossa casa mental, vamos conhecendo e entendendo qual o mundo íntimo que carregamos e que, muitas das vezes, ainda se mostra totalmente desconhecido para nós mesmos.

* * *

Vigiemos nossas palavras, para que elas sejam úteis, proveitosas e edificantes. Evitemos o comentário maldoso, o julgamento precipitado ou a acusação indevida.

Ainda, preservemos o nosso falar das expressões chulas, das comparações grotescas ou das piadas vulgares. O clima emocional e psíquico, com o qual nos envolvemos, é fruto do que pensamos e do que falamos.

Se a mente ainda traz dificuldades, se os pensamentos infelizes ainda tomam nossa casa mental, muitas vezes nos perturbando, façamos o silêncio interior, deixando que lentamente aqueles pensamentos cedam espaço para outros, mais nobres e enriquecedores.

Cultivemos o verbo elegante, a palavra de consolo, os temas edificantes para que nossa boca não seja quem nos condene, fazendo-nos escravos daquilo que, de forma invigilante, expressamos com a palavra não refletida.


Redação do Momento Espírita, a partir de seminário ministrado por Divaldo Pereira Franco, no Encontro fraterno, na praia de Guarajuba, Bahia, em data de 05.09.09.