sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"Temos um altar." Paulo (Hebreus, 13:10) ...."Até agora, construímos altares em toda parte, reverenciando o Mestre e Senhor. De ouro, de mármore, de madeira, de barro, recamados de perfumes, preciosidades e flores, erguemos santuários e convocamos o concurso da arte para os retoques de iluminação artificial e beleza exterior. Materializado o monumento da fé, ajoelhamo-nos em atitude de prece e procuramos a inspiração divina. Realmente, toda movimentação nesse sentido é respeitável, ainda mesmo quando cometemos o erro comum de esquecer os famintos da estrada, em favor das suntuosidades do culto, porque o amor e a gratidão ao Poder Celeste, mesmo quando mal conduzidos, merecem veneração. Todavia, é imprescindível crescer para a vida maior. O próprio Mestre nos advertiu, junto à Samaritana, que tempos viriam em que o Pai seria adorado em espírito e verdade. E Paulo acrescenta que temos um altar. A finalidade máxima dos templos de pedra é a de despertar-nos a consciência. O cristão acordado, porém, caminha oficiando como sacerdote de si mesmo, glorificando o amor perante o ódio, a paz diante da discórdia, a serenidade à frente da perturbação, o bem à vista do mal. Não olvidemos, pois, o altar íntimo que nos cabe consagrar ao Divino Poder e à Celeste Bondade. Comparecer, ante os altares de pedra, de alma cerrada à luz e à inspiração do Mestre, é o mesmo que lançar um cofre impermeável de trevas à plena claridade solar. Se as ondas luminosas continuam sendo ondas luminosas, as sombras não se alteram igualmente. Apresentemos, portanto, ao Senhor as nossas oferendas e sacrifícios em quotas abençoadas de amor ao próximo, adorando-o, através do altar do coração, e prossigamos no trabalho que nos cabe realizar." (Emmanuel)



A minha religião

 

Assistindo a um programa de entrevista na televisão, registramos um fato interessante.

O repórter estava entrevistando um ex-jogador de futebol que foi contemporâneo de Pelé, Garrincha, e outros mestres do esporte.

A entrevista transcorria de maneira agradável, pois o repórter conduziu a conversa fazendo correlação entre o futebol e a vida cotidiana.

Em vários momentos o entrevistado deixou transparecer a sua boa conduta perante a vida.

Era um jogador exemplar; um esposo dedicado e fiel; um pai amável e companheiro; não era dado a farras e bebedeiras; sempre foi benquisto pelos colegas de profissão.

Em cada item desses, o repórter questionava: "por que você age assim?" E ele respondia: "é por causa da minha religião."

Os valores expressados pelo desportista causavam agradável impressão ao telespectador.

O seu exemplo de vida certamente despertou a curiosidade de muitos, para saber qual era a religião que ele professava.

O repórter, como que captando a curiosidade geral, fez a pergunta tão esperada: "e qual é a sua religião?"

Para surpresa de todos, o ex-jogador disse convicto: "minha religião, é que eu não tenho religião. Como sei que a minha vida vai acabar no túmulo, quero deixar para meus familiares uma boa imagem, um bom exemplo."

O que mais nos impressionou no depoimento daquele homem, foi a sua disposição firme de ser honrado, nobre, digno, mesmo acreditando que sua vida acaba no túmulo.

Podemos dizer que seu exemplo deve provocar sérias reflexões naqueles que professam uma religião, que acreditam na imortalidade da alma, que têm fé em Deus, e não agem como tal.

Alguns acreditam, sinceramente, que o fato de seguirem esta ou aquela religião, basta para que tenham sua felicidade futura garantida. Para que tenham um lugar de destaque no além.

No entanto, podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que o que importa para as leis divinas, não é a bandeira religiosa que se ostenta, mas as obras realizadas.

As leis de Deus darão a cada um segundo as suas obras. Nada mais. Nada menos. Se assim não fosse, não seria justo. E Deus é a suprema justiça.

A religião, portanto, é um meio para que se atinja um fim, que é o aperfeiçoamento do ser humano.

Se a missão das religiões é ocupar-se com a alma, conduzindo-as a Deus, podemos concluir que a melhor religião é a que maior número de homens de bem fizer, e menos hipócritas.

Se a pessoa tem boa índole e não deseja se vincular a esta ou aquela religião, não deixará de entrar no reino dos céus, pois o reino dos céus, como afirmou Jesus, está dentro de nós, e não fora.

No caso do ex-jogador, sua religião é a sua própria consciência. E sua consciência é uma bússola segura.

De tudo isto podemos concluir que mais importante do que ter uma religião, é ser um homem de bem.

Não queremos dizer com isto que não existam e não existirão homens de bem no seio das religiões, isso não.

A história registrou e ainda registrará grandes vultos no meio religioso. Homens livres para amar a todos, sem barreiras nem preconceitos.

O homem verdadeiramente livre e bom entende que nós somos todos filhos de Deus.

Quando praticarmos o amor ao próximo como a nós mesmos cumpriremos o nosso objetivo na terra.

Uma grande família; uma família que se abraça mais, e sabe respeitar a todos independente de credo, raça e condição social.

Quando o amor nortear nossas vidas, não precisaremos mais lutar e matar em nome de Deus. Estaremos mais fortes para enfrentar outros tipos de desafios; respiraremos ares de paz e união.

Pense nisso

Procure ser melhor hoje do que foi ontem, e melhor amanhã, do que está sendo hoje.

Seja um homem de bem, tentando acertar o máximo que puder para que, quando alguém lhe perguntar qual a sua religião, você possa responder: "a minha religião é o amor."

Pense nisso!

 

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.



 

 


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"Eu sou o caminho..." - Jesus - (JOÃO, 14:6.) ...."Há muita gente acreditando, ainda, na Terra, que o Cristianismo seja uma panacéia como tantas para a salvação das almas. Para essa casta de crentes, a vida humana é um processo de gozar o possível no corpo de carne, reservando-se a luz da fé para as ocasiões de sofrimento irremediável. Há decadência na carne? Procura-se o aconchego dos templos. Veio a morte de pessoas amadas? Ouve-se uma ou outra pregação que auxilie a descida de lágrimas momentâneas. Há desastres? Dobram-se os joelhos, por alguns minutos, e aguarda-se a intervenção celeste. Usa-se a oração, em momentos excepcionais, à maneira de pomada miraculosa, somente aconselhável à pele, em ocasiões de ferimento grave. A maioria dos estudantes do Evangelho parecem esquecer que o Senhor se nos revelou como sendo o caminho... Não se compreende estrada sem proveito. Abraçar o Cristianismo é avançar para a vida melhor. Aceitar a tutela de Jesus e marchar, em companhia dEle, é aprender sempre e servir diariamente, com renovação incessante para o bem infinito, porque o trabalho construtivo, em todos os momentos da vida, é a jornada sublime da alma, no rumo do conhecimento e da virtude, da experiência e da elevação. Zonas sem estradas que lhes intensifiquem o serviço e o transporte são regiões de economia paralítica. Cristãos que não aproveitam o caminho do Senhor para alcançarem a legítima prosperidade espiritual são criaturas voluntariamente condenadas à estagnação." (Emmanuel)



Acerto de contas


 
O Espiritismo ensina que as Leis Divinas encontram-se inscritas na Natureza e na consciência de cada Espírito.

Quem se dedica a observar o mundo que o cerca, consegue assimilar o teor de tais Leis.

Entretanto, o guia mais seguro é a consciência.

Durante um tempo, o egoísmo logra turvar a percepção do estatuto Divino.

O egoísmo origina-se da identificação com a matéria.

Quanto mais sintonizado com os prazeres materiais, mais dificuldade tem o homem em ser abnegado.

Nos círculos inferiores da vida, o egoísmo representa condição de sobrevivência.

Os seres irracionais ocupam-se apenas com sua manutenção.

Quando famintos, os animais carnívoros simplesmente caçam e matam.

Se não forem hábeis e insensíveis à dor da presa, eles e seus filhotes morrem.

Um egoísmo muito marcante constitui sinal de pouca evolução.

Quem só consegue pensar no próprio bem-estar assemelha-se às feras da Natureza.

O mundo gira em redor de seu umbigo e ele não se incomoda em causar dores e desgraças aos semelhantes.

Entretanto, os Espíritos são dotados de liberdade, consciência e vontade.

Consequentemente, respondem por seus atos.

Nenhum ser pode dar o que não tem.

Não se esperam ações éticas de animais, pois isso está além de sua capacidade.

Mas os homens têm condições de agir com base em parâmetros éticos.

Justamente por isso, seus atos não podem ser ditados exclusivamente pelo interesse pessoal.

Os eventos dolorosos da Natureza, como a dor, a doença e a morte, são universais.

Ninguém escapa de experimentá-los, em maior ou menor grau.

A inteligência humana possibilita assimilar a essencial igualdade de todos os homens.

Essa similaridade demonstra que ser solidário é um dever elementar em face da vida.

Com o passar dos séculos, gradualmente o Espírito se compenetra dessa realidade.

Tudo o que se refere à matéria é passageiro.

Entretanto, ele possui uma consciência que sempre o acompanha.

Cada dor deliberadamente causada ao próximo nela está registrada.

As leviandades, as humilhações infligidas, tudo isso gera dor e arrependimento.

Quanto mais vivido e experiente, mais responsável é o Espírito.

Chega um momento em que o ser espiritual se desgosta do mal.

Farto de erros e baixezas, ele decide trabalhar pelo próprio aperfeiçoamento.

Então, prepara para si encarnações nas quais possa se recompor com o passado.

Não mais se preocupa com facilidades materiais.

Riqueza, beleza e poder já não lhe interessam.

Quando assume elevadas posições é apenas no intuito de melhor trabalhar para o semelhante.

O que conta mesmo é a perspectiva de se recompor perante as Leis Divinas.

À medida que perde o gosto pelas coisas materiais, o egoísmo o abandona.

Desembaraçado de preocupações mesquinhas, caminha vigorosamente para a libertação e a transcendência.

Dificuldades não o assustam, pois sua meta é elevada e sua esperança no futuro é infinita.
* * *

Se você enfrenta graves problemas e dores, talvez tenha chegado o momento de seu acerto de contas.

Não complique a sua programada recuperação espiritual com preguiça e revolta.

Consciente da transitoriedade da vida na Terra, dedique-se a conquistar o que é permanente.

Combata seu egoísmo e esforce-se por agir no bem com desinteresse.

A melhor forma de ser feliz é cuidar da felicidade do próximo.

Pense nisso.



Equipe de Redação do Momento Espírita.
 





 




terça-feira, 26 de novembro de 2013

"Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo. Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar. A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão. Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros. Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes. Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas. A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz." (Meimei)



 
Exteriorização da alma

  
"A boca fala do que está cheio o coração".
 
Essa afirmativa de Jesus encerra grande sabedoria.
 
Significa que não somente as palavras, mas tudo o que vem do interior do homem é, de certa forma, a exteriorização de sua alma.
 
As cidades são a expressão de quem as constrói, de quem as habita, de quem as conserva.
 
Uma canção é a exteriorização da alma do compositor, assim como a escultura, a arquitetura, as artes plásticas, retratam a intimidade do seu criador.
 
Uma peça literária é a alma do escritor que se mostra em forma de palavras, frases, ideias...
 
É assim que pelo conteúdo das mais variadas formas de expressão, conhecemos a natureza daquele que as produz.
 
Almas sábias exteriorizam bondade, beleza, sabedoria...
 
Almas ignóbeis se revelam pelas produções corrompidas na base, ideias desconexas, infelizes, viciosas...
 
Suas expressões artísticas denotam baixeza e futilidade. São contraditórias e desprovidas de beleza.
 
Nas canções, a letra é carregada de palavras torpes. As notas, geralmente de melodia pobre, expressam o desarranjo da alma que através da música se exterioriza.
 
Os escultores dessa categoria apresentam sua intimidade nas formas retorcidas, grotescas, sem graciosidade. Comumente não causam bem-estar em quem as contempla.
 
Todavia, muito diversa é a expressão artística das almas nobres...
 
As composições musicais expressam sua grandeza d`alma. Produzem, em quem as ouve, profunda harmonia íntima, pois tocam as cordas mais sutis do ser, promovendo estesia e bem-estar.
 
As notas musicais têm sonoridade agradável e penetrante. A alma do artista se exterioriza, e sua sabedoria sensibiliza quem as sente, provocando emoções nobres e salutares.
 
É assim que a alma se mostra através das palavras, das artes, das ciências, e de todas as formas de expressão.
 
Às vezes, pessoas iletradas se apresentam com extremada beleza, através de palavras que brotam da alma como de uma fonte cristalina, plenas de sabedoria, de afeto, de ternura.
 
Trabalhadores simples, devotados, que realizam suas tarefas com dedicação e seriedade, demonstram trazer no íntimo uma fonte de riquezas.
 
Poetas, escritores, compositores, escultores, engenheiros, médicos, jardineiros, pedreiros, arquitetos, donas de casa, paisagistas e outros tantos cidadãos, mostram a alma através de suas realizações.
 
E a sua alma, como tem se exteriorizado?
 
Nas tarefas singelas que você realiza...
 
Nas muitas palavras que você pronuncia...
 
Nos conselhos que dá ao filho ou a um amigo...
 
Numa carta comercial que você escreve, ou numa declaração de amor, sua alma se exterioriza e se deixa ver...
 
Com suas ações, o mundo ao seu redor fica mais belo ou mais feio? Mais alegre, ou mais triste, mais nobre, ou mais pobre?
 
Para se conquistar a excelência nas ações cotidianas, é preciso considerar as quatro dimensões da experiência humana:
 
A dimensão intelectual, que almeja a verdade; a dimensão estética, que almeja a beleza, a dimensão moral, que almeja a bondade, a dimensão espiritual, que almeja a unidade.
 
E gravitar para a unidade divina, é o objetivo final da humanidade.
 
Busque plantar em sua alma a verdade, a bondade e a beleza.
 
Mas considere que a verdade é o solo mais propício para que germinem a bondade e beleza.
 
Pense nisso! Vale a pena!
 
Invista na sua alma!

 
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.


 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Da mesma boca procede bênção e maldição." - (TIAGO, 3:10.) ....."Nunca te arrependerás: de haver ouvido cem frases, pronunciando simplesmente uma ou outra pequena observação; de evitar o comentário alusivo ao mal, qualquer que seja; de calar a explosão de cólera; de preferir o silêncio nos instantes de irritação; de renunciar aos palpites levianos nas menores controvérsias; de não opinar em problemas que te não dizem respeito; de esquivar-te a promessas que não poderias cumprir; de meditar muitas horas sem abrir os lábios; de apenas sorrir sempre que visitado pela desilusão ou pela amargura; de fugir a reclamações de qualquer natureza; de estimular o bem sob todos os prismas; de pronunciar palavras de perdão e bondade; de explanar sobre o otimismo, a fé e a esperança; de exaltar a confiança no Céu; de ensinar o que seja útil, verdadeiro e santificante; de prestar informações que ajudem aos outros; de exprimir bons pensamentos; de formular apelos à fraternidade e à concórdia; de demonstrar benevolência e compreensão; de fortalecer o trabalho e a educação, a justiça e o dever, a paz e o bem, ainda mesmo com sacrifício do próprio coração. Examina o sentido, o modo e a direção de tuas palavras, antes de pronunciá-las. Da mesma boca procede bênção ou maldição para o caminho." (Emmanuel)



Maneiras de dizer as coisas


 
Uma sábia e conhecida anedota árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes.

Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.

Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho.

Cada dente caído representa a perda de um parente de Vossa Majestade.

Mas que insolente! - gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites.

Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.

Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho.

E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:

Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.

Lembre-se, meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer.

 
* * *

Um dos grandes desafios da Humanidade é aprender a arte de comunicar-se.

Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.

Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas.

A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta.

Mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade.

A embalagem, nesse caso, é a indulgência, o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos.

Ademais, será sábio de nossa parte se antes de dizer aos outros o que julgamos ser uma verdade, dizê-la a nós mesmos diante do espelho.

E, conforme seja a nossa reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado o nosso intento.

Importante mesmo é ter sempre em mente que o que fará diferença é a maneira de dizer as coisas...

 
* * *

A sublime arte da comunicação foi sabiamente ensinada por Jesus.

Ele falava com sabedoria tanto aos Doutores da Lei quanto às pessoas simples e iletradas.

Há pessoas que se dizem bons comunicadores mas que não conseguem fazer com que suas palavras cheguem aos corações e às mentes.

Jesus, o comunicador por excelência, falava e Suas palavras calavam fundo nas almas, porque aliava às palavras os Seus atos, ou seja, falava e exemplificava com a própria vivência.

O grande segredo para uma boa comunicação, portanto, é o exemplo de quem fala.



Redação do Momento Espírita com base em história publicada no jornal Candeia Espírita de julho/1998. Disponível no CD Momento Espírita, v. 4, ed. Fep.



 

sábado, 23 de novembro de 2013

"Quando o espinho buscar-te o coração e puderes dizer – bendito sejas! Quando a pedrada visitar-te o peito e exclamares – bendita sejas tú! Quando a prova amargosa e redentora requisitar-te a casa ao pranto escuro e lembrares que há sombras mais terríveis que a tua em muita gente; quando inclinares teus ouvidos calmos à irritação e à cólera dos outros, perdoando as ofensas e esquecendo-as; quando a dor inspirar-te o canto excelso e doce da esperança; então tua alma içada à luz Celeste, sob a glória da vida superior, viverá luminosa e preparada para o Reino do Amor... (Rodrigues de Abreu)



A lei e as frutas


Uma lenda conta que, no deserto, as frutas eram raras, e que Deus um dia chamou um de seus profetas e disse:

Cada pessoa só pode comer uma fruta por dia.

O costume foi obedecido por gerações, e a ecologia do local foi preservada. Como as frutas restantes davam sementes, outras árvores surgiram.

Em breve, toda aquela região transformou-se num solo fértil, invejado pelas outras cidades.

O povo, porém, continuava comendo uma fruta por dia - fiel à recomendação que um antigo profeta tinha passado aos seus ancestrais.

Além do mais, isso não deixava que os habitantes das outras aldeias se aproveitassem da farta colheita que acontecia todos os anos.

O resultado era um só: as frutas apodreciam no chão.

Deus então chamou um novo profeta e disse: deixe que comam as frutas que quiserem. E peça que dividam a fartura com seus vizinhos.

O profeta chegou à cidade com nova mensagem. Mas terminou sendo apedrejado, pois o costume estava muito arraigado no coração e na mente de cada um dos habitantes.

Com o tempo, os jovens da aldeia começaram a questionar aquele costume bárbaro. Mas, como a tradição dos mais velhos era intocável, eles resolveram afastar-se da religião. Assim, podiam comer quantas frutas quisessem e dar o restante para os que necessitavam de alimento.

Participando dos costumes e crenças antigos só ficaram os que se achavam santos, seguidores da religião. Mas que, na verdade, eram pessoas incapazes de enxergar que o mundo se transforma e que nós devemos nos transformar com ele. Assim nos conta a lenda.

Pense nisso!

Há muito sobre o que se refletir sobre estas questões, e algumas delas são muito delicadas, pois colocam em xeque nossas crenças antigas, arraigadas no ser humano há muito tempo.

Primeiramente vejamos que a lição não deseja dizer que o melhor caminho a seguir é aquele que não está na religião, de maneira alguma. Ela demonstra apenas, que a religião precisa também rever suas posições, voltando a estudar os dogmas, a racionalizar seus ensinos e ideias.

Nos tempos antigos havia a necessidade da imposição de ideias, pois o homem ainda não tinha a capacidade de discernir o certo do errado - sua formação intelectual engatinhava.

Ao longo do tempo a humanidade começou a querer respostas, a buscar mais esclarecimentos sobre sua própria existência, e foi encontrando sempre portas fechadas.

Muitos se afastaram da religião, pois ela não respondia de forma satisfatória seus questionamentos mais profundos.

Dessa maneira poderíamos questionar: a religião estava errada, então? Não, certamente que não. Apenas os seus líderes se esqueceram de que o mundo se transforma, e que devemos nos transformar com ele.

As leis de Deus continuam as mesmas, pois são atemporais. Porém, sua interpretação e aplicação sim, se modificam com a evolução.

Novas verdades estão nos sendo reveladas, realidades que antes não tínhamos condições de compreender, e que agora chegam para nos mostrar o caminho da razão, da evolução espiritual do homem moderno.

Assim como um dia nos foi provado que o mundo não era plano - ao contrário do que acreditávamos; ou que a terra estava longe de ser o centro do universo; vamos descobrindo novas realidades, como a existência do espírito, a mediunidade e a reencarnação.

Tudo é apenas uma questão de tempo.

Assim, não sejamos aqueles que continuam comendo apenas uma fruta por dia - relembrando a lenda - e sim aqueles que, através da razão, da inteligência e do coração, estamos dispostos nos alimentar dos frutos da mudança, da renovação e da transformação.

Pensemos nisso!



Equipe de Redação do Momento Espírita, a partir do texto "A lei e as frutas", do livro "Histórias para pais, filhos e netos", de Paulo Coelho - ed. Globo.

 

 




Foto


 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Muitos iniciam a caminhada com Jesus. Poucos perseveram. Muitos sonham. Poucos realizam. Muitos opinam. Poucos colaboram. Muitos admiram o bem. Poucos se sacrificam por ele. Muitos esperam. Poucos buscam. Muitos conhecem. Poucos discernem. Muitos oram. Poucos confiam. Muitos toleram. Poucos amam. Muitos reclamam. Poucos renunciam. Muitos são chamados. Poucos atendem." (Albino Teixeira)



O momento da aurora

 

Certo dia, um Rabino reuniu seus alunos e perguntou:

Como é que sabemos o exato momento em que a noite acaba e o dia começa?

Quando, à distância, somos capazes de distinguir uma ovelha de um cachorro. - Disse um menino.

O Rabino não ficou contente com a resposta.

Na verdade, - disse outro aluno - sabemos que já é dia quando podemos distinguir, à distância, uma oliveira de uma figueira.

Não é uma boa definição. - Respondeu o sábio.

Qual a resposta, então? - perguntaram os garotos.

O Rabino falou:

Quando um estrangeiro se aproxima e nós o confundimos com nosso irmão, este é o momento da aurora, o momento em que a noite acabou e o dia começa.
 
* * *

O amor ao próximo está em todas as crenças, em todos os tempos.

Os mestres, os sábios, os missionários sempre ensinaram e exemplificaram esta lição, proclamando que a aurora da Humanidade virá quando descobrirmos uns aos outros, quando admitirmos que somos filhos de um mesmo Pai, que temos o mesmo objetivo e que, por isso, precisamos caminhar juntos.

É tempo de abrir o coração para outras almas, de deixar os preconceitos de lado, as exigências descabidas, e conviver mais com as pessoas.

Muitos têm medo de se ferir. Muitos se afastam de todos por egoísmo.

Seja você uma exceção. Seja aquele que valoriza as amizades, aquele amigo que está sempre presente, para o que der e vier, como se diz popularmente.

Seja aquela pessoa que gosta de ter a casa cheia, que gosta de receber visitas, que gosta de compartilhar as conquistas com os outros.

Seja você aquele que liga para desejar Feliz aniversário, aquele que escreve um longo cartão de Natal falando do ano que se passou, e o quanto aquela pessoa lhe foi importante.

Seja aquele amigo que destaca as virtudes do outro, que concorda e que discorda do que ele pensa, mas discorda com delicadeza e psicologia.

Seja você alguém que cumprimenta a todos, e que receba aqueles que ainda não conhece bem, com um sorriso, com um Bom dia.

Finalmente, seja você a aurora dos que estão à sua volta, dizendo-lhes, através de seu otimismo, que o dia se aproxima, e que a noite logo termina.
 
* * *

O momento da aurora se aproxima

Muitas vozes já proclamam a chegada de um novo tempo

Tempo que está no coração do homem

Tempo que está no calor de seu abraço.

O momento da aurora se aproxima

E a noite será passado, e o sol será presente

Presente para aqueles que se tornarem espelho e refletirem em seu próximo toda luz que receberem.
 



Redação do Momento Espírita, com base no cap. O momento da aurora, do livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho.

 

 
 
 
 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

"Todo intercâmbio entre as almas está em constante processo de renovação no sustento da marcha evolutiva de todos. Nenhum coração pode viver normalmente sem companhia. Olhar, gesto e palavra, ocorrências naturais em qualquer recanto da vida terrestre, tem significações profundas para a garantia da felicidade. O olhar exprime os mais diversos sentimentos na mímica da face. O gesto pode ser o movimento inicial de grandes ações. A palavra constrói ou destrói facilmente e, em segundo, estabelece, por vezes, resultados vitais para muitos anos. Toda criação da consciência reveste-se de importância particular. Desde o pensamento isolado a germinar da forja do cérebro à plasmagem respectiva, tudo se afirma com valor específico, registrado, medido e julgado por Leis Inderrogáveis. Modificam-se os valores da vida externa, segundo os valores do entendimento. Examinemos semelhante realidade. O arco e a flecha, preciosos para o selvagem, carecem de proveito nas mãos do homem relativamente instruído. Uma enciclopédia mostra expressão diferente aos olhos do professor e aos olhos do analfabeto. As notas musicais são melodias para o músico e vibrações sonoras para o físico. O desespero desconhece a paz que mora invariavelmente no centro da vida. A teimosia apenas aprova o que lhe convém às cristalizações. O egoísmo vê concorrentes em todas as criaturas. A fraternidade encontra irmãos em todos os companheiros. A avaliação do bem e do belo varia, portanto, de espírito a espírito, de acordo com o burilamento íntimo de cada um. Levantemos o pensamento para Jesus. O Evangelho reúne os valores indestrutíveis. Aproveita o mínimo ensejo de auxiliar aos semelhantes. Observa o lado nobre das ocorrências. Ajusta o colorido do otimismo nas telas do cotidiano. Confia e espera com paciência. O objetivo maior da Criação é a felicidade real de todos. Estuda ao redor de teus passos se os seres e as coisas, os fatos e as vidas permanecem estacionários ou progressistas, na procura de valores eternos e, buscando a tua própria integração com o melhor, caminharás firmemente no rumo da perfeição." (André Luiz)



 
Idealismo

 

Nos dias em que vivemos têm faltado à nossa adolescência e juventude modelos de heróis verdadeiros. À falta deles, elegem-se protótipos comuns e até perniciosos para serem seguidos.

Mas, o que será um verdadeiro herói?

Pode ser um anônimo incompreendido, que paga o alto preço de se ver a sós, defendendo ideias que sua consciência cataloga como as corretas.

O preço, por vezes, é bastante alto.

Em 1958, um oficial de carreira do exército romeno foi sumariamente julgado e condenado a 25 anos de prisão. Seu crime foi permitir-se criticar o sistema.

Ele era um idealista, que percebera a corrupção e ousara expor a hipocrisia do comunismo na prática, ele, que era general daquele regime.

Durante 6 anos, foi desconhecido o seu paradeiro, até que, em 1964, com a anistia a prisioneiros políticos, um estranho magro e pálido retornou para casa.

Foram apenas 8 meses em que filhos e pai buscaram superar a barreira imposta pelos anos de ausência.

Foi então que faleceu o líder romeno, autor da liberalização política do país. Com a subida ao poder de Nicolae Ceausescu, o desastre aconteceu.

A família conseguiu emigrar para os Estados Unidos, mas ele não.

Para todos os conhecidos e parentes aquele homem era um fracassado.

Atirara pela janela a brilhante carreira militar, não pensara na família, tudo porque tivera uma crise de consciência e se recusara a trair os seus princípios.

Em um diário descreve seus sentimentos na rotina do dia a dia que a prisão lhe impôs. Ele tinha 45 anos quando toda sua vida ruiu.

Diz ele: Tive todos os motivos para ser feliz, uma esposa adorável, dois filhos bonitos, carreira bem sucedida. Mas diariamente passava com minha limusine por ruas cheias de gente desesperada e faminta, aguardando eternamente mantimentos em lojas cujas prateleiras estavam vazias.

Minha mulher implorava para que eu ficasse calado e pensasse em minha família.

Queria que meus filhos crescessem órfãos?

Havia tantos prisioneiros, tantos desaparecidos!

Por que flertar com a autodestruição? O que eu esperava obter com isso?

Eu poderia ter optado por olhar em outra direção, fechar os olhos.

Mas como poderia?

Mais adiante, ele poetiza, traduzindo seu estado d´alma tranquilo:

Não me preocupo com o vento e a nevasca, nem com o frio que entra em meus ossos. Nunca na vida me senti mais livre.

Meu Espírito está intacto! Aprendi a cantar sem som e a escrever sem papel. Apesar de tudo, o homem é o ser mais maravilhoso e completo da natureza!

Por esse motivo, nunca devemos perder a fé em sua grandeza, em seu direito de ser valorizado e amado.

O herói ficou livre em 1989 e foi visitar a família nos Estados Unidos. Depois, retornou à sua pátria, para procurar nos arquivos da polícia secreta o manuscrito do seu livro, causa de sua prisão.

* * *

Os valores insignificantes, segundo a experiência de muitos, realizam obras reais na construção da vida.

Quando o homem se preocupa em adquirir os valores transitórios, desdenha a edificação interior e desconsidera a capacidade de produzir tesouros imperecíveis para o Espírito.



Redação do Momento Espírita com base no texto O que os heróis nos ensinam, de Irina Eremia Bragin, publicado em Seleções Reader´s Digest de fevereiro de 1998 e no verbete Valor, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.


 

 
 


 
 
 
 
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

"É um tesouro inigualável, teu somente. Ninguém dispõe dele em teu lugar. Nas horas mais difíceis, podes gastá-lo sem preocupação. Quando alguém te fira, é capaz de revelar-te a grandeza da alma, no brilho do perdão. No momento em que os seres mais queridos porventura te abandonem, será parte luminosa de tua bênção. Ante os irmãos infelizes, é o teu cartão de paz e simpatia. Nos empreendimentos que te digam respeito ao próprio interesse, converte-se em passaporte para a aquisição das vantagens que desejes usufruir. No relacionamento comum, transforma-se na chave para a formação das amizades fiéis. Na essência, é um investimento, a teu próprio favor, que realizas sem o menor prejuízo. Esse tesouro é o teu sorriso, - luz de Deus em ti mesmo, - que nenhuma circunstância pode extinguir e que ninguém consegue arrebatar." (Meimei)


 
O sol real

 
Certa vez um pai, muito sensível, percebeu que uma de suas filhas estava sofrendo e lhe perguntou o que estava acontecendo com ela.

A garota respondeu que havia sido criticada pelas amigas por ser uma pessoa simples, não gostar de ostentação e por não ter preocupação excessiva com a estética.

Ela estava se sentindo rejeitada e triste.

O pai, grande educador, percebendo o sofrimento da filha, disse-lhe, com carinho: "Filha, algumas pessoas preferem um bonito sol pintado num quadro, outras preferem um sol real, ainda que esteja coberto pelas nuvens."

Em seguida perguntou-lhe: "Qual é o sol que você prefere?"

Ela pensou um instante e respondeu: "O sol real."

E o pai completou: "Mesmo que as pessoas não acreditem no seu sol, ele está brilhando. Você tem luz própria.

Um dia, as nuvens que o encobrem se dissiparão e as pessoas irão enxergá-lo. Não tenha medo das críticas dos outros, tenha medo de perder a sua luz."

Muitos jovens se sentem reféns da opinião dos outros, e sofrem muito quando são criticados, pois seu desejo mais ardente é ser aceito pelos colegas.

Um fato, também muito corriqueiro na vida dos jovens, e que nem todos conseguem superar, é a rejeição.

O desprezo, a indiferença, os comentários maldosos, são geradores de muitos dissabores na alma juvenil, quando os pais descuidam da orientação e atenção adequadas.

O jovem, ainda imaturo e inseguro, diante de uma situação de grande estresse pode enveredar pelo caminho das drogas, da depressão, da degenerescência moral.

Por isso se faz importante a atenção dos pais, nesses dias em que as nuvens pairam sobre os corações juvenis, obscurecendo-lhes o sol interior.

Ensine ao seu filho a arte de construir a própria felicidade, ainda que tudo pareça conspirar contra.

Mostre a ele que o que os amigos pensam dele ou deixam de pensar, não intensificará a sua luz interior, nem a diminuirá.

Diga-lhe que o que faz a diferença é o que ele realmente sente e é.

Ensine seu filho a não se escravizar ao consumismo atormentado, à neurose de buscar a beleza física a qualquer custo, a não depender da opinião dos outros para ser feliz.

Ensine ao seu filho que a verdadeira beleza está na alma, e não numa silhueta bem definida.

Diga-lhe que a beleza física é passageira, como as flores de um dia, e que o Espírito é o ser imortal que sobrevive à matéria e transcende o tempo.

* * *

"Mesmo que as pessoas não acreditem no seu sol, ele está brilhando. Você tem luz própria.

Um dia, as nuvens que o encobrem se dissiparão e as pessoas irão enxergá-lo. Não tenha medo das críticas dos outros, tenha medo de perder a sua luz."

Acredite nessa verdade, e ajuste o olhar do seu filho para que ele também possa ver em si mesmo um sol real brilhando, mesmo que, por vezes, esteja encoberto pelas nuvens.

Pense nisso, e, se guardar algum tipo de medo, que seja o de perder a própria luz.
 


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 6, pt. 1, do livro Pais brilhantes, professores fascinantes, de Augusto Cury, ed. Sextante.

 




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

"A paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá." - Jesus. (JOÃO, 14:27.) ..... "É indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo. A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento. A serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz Imortal. O mundo consegue proporcionar muitos acordos e arranjos nesse terreno, mas somente o Senhor pode outorgar ao espírito a paz verdadeira. Nos círculos da carne, a paz das nações costuma representar o silêncio provisório das baionetas; a dos abastados inconscientes é a preguiça improdutiva e incapaz; a dos que se revoltam, no quadro de lutas necessárias, é a manifestação do desespero doentio; a dos ociosos sistemáticos, é a fuga ao trabalho; a dos arbitrários, é a satisfação dos próprios caprichos; a dos vaidosos, é o aplauso da ignorância; a dos vingativos, é a destruição dos adversários; a dos maus, é a vitória da crueldade; a dos negociantes sagazes, é a exploração inferior; a dos que se agarram às sensações de baixo teor, é a viciação dos sentidos; a dos comilões, é o repasto opulento do estômago, embora haja fome espiritual no coração. Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do mundo. Sentem-se triunfantes, venturosos e dominadores no século. A ignorância endinheirada, a vaidade bem vestida e a preguiça inteligente sempre dirão que seguem muito bem. Não te esqueças, contudo, de que a paz do mundo pode ser, muitas vezes, o sono enfermiço da alma. Busca, desse modo, aquela paz do Senhor, paz que excede o entendimento, por nascida e cultivada, portas a dentro do espírito, no campo da consciência e no santuário do coração." (Emmanuel)


 
Tons da paz

 
Muita gente deseja viver em paz convivendo, paradoxalmente, com situações que a tornam impossível.

Ninguém consegue viver em paz, desrespeitando os direitos alheios.

Não se vive em paz cultivando na alma os corrosivos da mágoa, da inveja, da prepotência, da ingratidão, do desrespeito.

A paz consciente é incompatível com a ignorância e com o descaso.

Não se pode construir a paz nas bases da indiferença moral, nem nos alicerces da violência íntima disfarçada de autenticidade.

...Muita gente deseja viver em paz convivendo, paradoxalmente, com situações que a tornam impossível.

A paz que não está sedimentada na razão e no mais profundo sentimento de amor ao próximo, não é paz, é ilusão.

Quem observa a superfície calma das águas de um charco, por exemplo, pode ter a ilusão de vislumbrar a mansuetude, mas se sondar as profundezas, encontrará miasmas pestilentos e odor fétido de podridão.

Para que a nossa paz não passe de mera ilusão, nossas atitudes precisam ser iluminadas pela luz da razão e aquecidas pelo sol do sentimento.

Certa vez alguém escreveu sobre a paz:

Paz é suave melodia, extraída da alma pelos dedos invisíveis da consciência tranquila.

É canção que cala a voz da violência, que desperta consciências e dulcifica quem a possui.

A paz tem a singeleza e o perfume de flores silvestres, cultivadas no solo fértil da lucidez, pelas mãos habilidosas da razão e do sentimento.

E é nesse jardim da alma que brotam as sementes da ternura e da compaixão, do afeto e da mansuetude.

Um coração sem paz é como uma orquestra sem tons nem sons, sem flores nem perfumes, sem leveza e sem harmonia.

A vida sem paz é como embarcação que navega sem luz, que desconhece o caminho e se perde na imensidão de breu.

A paz, ao contrário, enobrece os dons da alma e acarinha a vida...

Tem a suavidade da brisa, ao amanhecer... e os vários tons multicores que despertam a aurora.

Possui o vigor da mais pujante sinfonia e a sutileza entre tons e semitons.

Paz: a sinfonia perfeita cuja maior nota é o amor.

Quando essa sinfonia ecoa nos corações, produz tons e sons na mais perfeita harmonia...

Para extrair da alma a melodia da paz é preciso afinar os acordes da razão e do sentimento, as duas asas que nos guindarão para a luz inapagável, que a todos nos aguarda no limiar do infinito.

* * *

E é tão fácil a conquista da paz!...

Basta que não ambiciones em demasia; que corrijas os ângulos da observação da vida; que ames e perdoes; que te entregues às mãos de Deus que cuida das "aves do céu" e dos "lírios do campo" e que, por fim, cumpras fielmente com teus deveres.
 
 


Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do verbete Paz, do livro Repositório de sabedoria,  v. II, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.
Em 05.03.2012.