quinta-feira, 20 de junho de 2019

Oração a mim mesmo

Imagine fazer uma prece a você mesmo. 

Imagine poder conversar consigo mesmo de uma forma suave, profunda, definitiva. 

Quem sabe você poderia dizer assim: 

"Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais. 

Falar menos. Chorar menos. 

Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm, e não a inveja que prepotentemente penso que têm. 

Escutar com meus ouvidos atentos, e minha boa estática, as palavras que se fazem gestos, e os gestos que se fazem palavras. 

Permitir sempre escutar aquilo que não tenho me permitido escutar. 

Saber realizar os sonhos que nascem em mim, e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos. 

Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis. 

Aqueles que morrem e ressuscitam, a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia. 

Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza. 

Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras, pela oração mental. 

Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida. 

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante. 

Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamento. 

E que meu choro não seja em vão, e que em vão não sejam minhas dúvidas. 

Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo. Que eu não tenha medo de meus medos! 

Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o coração cheio de esperanças. 

Que eu faça de mim uma pessoa serena, dentro de minha própria turbulência. 

Humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas... 

Que eu possa ensinar o pouco que sei, e aprender o muito que não sei. 

Traduzir o que os mestres ensinaram, e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências. 

Respeitar incondicionalmente o ser. O ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência. 

Auxiliar a solidão de quem chegou. Render-me ao motivo de quem partiu. E aceitar a saudade de quem ficou. 

Que eu possa amar e ser amado. Que eu possa amar mesmo sem ser amado. 

Fazer gentilezas quando recebo carinho. Fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas. 

Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só". 

* * * 

Quanto são importantes os momentos a sós conosco mesmo. 

O exercício de se questionar, de conversar consigo, de se conhecer, é grande instrumento de evolução de que dispomos. 

Na turbulência dos dias que não param, das muitas atividades e preocupações, esses momentos de meditação, de autoconvívio, irão determinar a saúde de nossa alma. 

Muitos se perdem de si mesmos neste turbilhão ameaçador, e dificilmente se encontram a tempo. 

Os que escolhem o caminho da meditação, da auto-análise, do autoconhecimento, adoecem menos e vivem mais - vida em abundância...


Redação do Momento Espírita com base no texto de Oswaldo Antônio Begiato, recebido pela internet.
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domingo, 2 de junho de 2019

Mensagem pouco lembrada

Narra-se que um devotado trabalhador do Cristo adormeceu, certa noite, após as preces e rogativas habituais.

Desenovelando-se do corpo físico, o Espírito buscou paragens amenas da Espiritualidade, para a recomposição das energias espirituais, enquanto o vaso carnal repousava, igualmente se recompondo.

Viu-se o servidor, repentinamente, em paisagem que lhe parecia celestial. O céu de um azul profundo concedia um toque todo especial ao quadro de flores delicadas, aveludado tapete de relva e árvores amigas.

Debaixo de uma árvore frondosa, divisou ele um homem esbelto, de porte majestoso. Aproximou-se e sensibilizado reconheceu Jesus, o Mestre.

Jesus parecia mergulhar o olhar na imensidão. Havia serenidade em Sua face. Contudo, havia sinal de lágrimas nos olhos doces.

O servidor respeitoso ousou perguntar:

Mestre, por que choras?

E porque não houvesse imediata resposta, tornou a falar o trabalhador:

Choras, acaso, por causa dos perversos? Tuas lágrimas se destinarão talvez aos que astuciosos, promovem o mal, governando mentes em ignorância?

O silêncio do Mestre se estendeu um pouco mais. Foi, então, que o bom homem indagou:

Serão, porventura, Tuas lágrimas para aqueles que Te crucificaram e para os quais rogaste o perdão de nosso Pai?

A palavra clara e firme de Jesus se fez então ouvir:

Filho, as minhas lágrimas exprimem o lamento por todos aqueles que, conhecendo as minhas palavras e os meus ensinos, prosseguem cometendo desatinos, afligindo a Humanidade.

Choro por aqueles que mesmo tendo os centros da razão iluminados pela inteligência e pelo raciocínio lúcido, não adquiriram a consciência do dever que o conhecimento proporciona.

Lamento os que recebem o brilho da informação, mas não desfrutam da experiência da vida feliz. Os que afirmam conhecer meus ditos, mas carecem de sabedoria e prosseguem a se comprometer, errando com constância.

Lamento-os, meu filho, porque todos eles padecem de enfermidades da alma e muitas serão as dores que deverão colher, no transcurso das vidas, até despertarem verdadeiramente para a luz.

O servidor fiel despertou na carne, ergueu-se disposto e retornou aos labores de serviço ao próximo, guardando n'alma a certeza de que a lição viva da sabedoria reside em aplicar à própria vida o aprendizado das letras evangélicas, a fim de fruir a paz nos dias mais próximos.

*   *   *

O próprio Jesus advertiu que de nada adiantaria falar e não fazer.

Nas anotações do Evangelista Lucas lemos: E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?

O Evangelho é um código de bem viver e a aplicação de suas leis na vida diária é a fórmula para equacionar todos os nossos problemas.


Redação do Momento Espírita com base no cap. Ignorância e sabedoria, do livro Suave luz nas sombras, pelo Espírito João Cléofas, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 28.01.2010.

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