terça-feira, 5 de junho de 2018

Recursos improdutivos

 Vivemos com o que...
Em certa região onde imperava a pobreza, vivia um homem que conseguia seu sustento com o labor de oleiro. Sua especialidade era fabricar cântaros, que eram vendidos na própria localidade.

Com tal atividade, o oleiro não somente conseguia sustentar-se, como também sempre tinha à disposição algumas colheres de arroz para saciar a fome de um ou outro pedinte, que lhe batesse à porta.

Todas as tardes, quando o sol parecia desmaiar no horizonte, ele se dirigia ao templo para orar. Ali, abria sua alma ao Criador, sentindo-se em paz.

Certo dia, quando estava a trabalhar em sua casa, viu passar a rica caravana de um nobre, cercado de muita pompa e honrarias. Perplexo, viu como aquele homem jogava moedas aos pobres do caminho.

Então, o oleiro disse para si mesmo:

Eu poderia ser rico como aquele nobre. Seria muito bom ter um palácio para morar, inúmeros criados, desfrutar das coisas boas da vida. Ser poderoso, temido e admirado por onde passasse.

Além do que, se fosse um desses homens, melhor poderia servir ao Senhor. Daria amparo aos pobres, para que tivessem eles também uma vida digna e decente.

Com meu exemplo, poderia até levar outros homens ricos a agirem como eu. Juntos, poderíamos erradicar a miséria e a fome do mundo.

E, tão logo viu a caravana se afastar, decidiu enriquecer. Na sua mente, elaborou um plano meticuloso.

Se trabalhasse de forma incansável, mais horas por dia, se melhorasse a qualidade dos seus cântaros, ele poderia acumular muitos deles e expô-los, na feira do próximo verão.

Vendendo-os, ganharia mais dinheiro e se tornaria um grande e próspero homem.

Logo colocou seu plano em ação, trabalhando dias e noites sem parar.

Não perdia tempo. Quando os necessitados o procuravam, sem erguer os olhos da tarefa, dizia: Esperem, estou trabalhando para enriquecer e beneficiarei a todos. Voltem no verão...

Deixou de comparecer ao templo para orar, dedicando aquelas horas a modelar cântaros, enquanto sonhava com a riqueza.

O tempo passou e veio finalmente o verão. O oleiro carregou sobre mulas os muitos cântaros que venderia, na feira da Capital, a peso de ouro.

Seguindo pela estrada, sentindo as moedas já tilintarem em seus bolsos, foi surpreendido por homens armados que lhe levaram as mulas e os cântaros, desaparecendo na poeira da estrada.

Ficou sozinho, a pé, sem saber ao menos o que fazer, a não ser lamentar-se:

Como sou infeliz. Malditos ladrões. Roubaram-me tudo. Retiraram-me toda a possibilidade de bem servir ao Senhor.

Nisso, a voz do Senhor falou ao seu coração:

Não chores. Os bens que perdeste apenas serviriam para tua ambição e vaidade. Chora, contudo, a fortuna que perdeste há muito mais tempo.

E ante o espanto do oleiro, disse afinal:

Bati em tua porta por diversas vezes, faminto, e Me negaste o pão.


* * *

Para a prática do verdadeiro bem não há necessidade de aguardar grandes fortunas.

Cada qual, onde esteja, pode se transformar no doador anônimo do que possua, a benefício de outrem.

Se cada um se preocupasse em auxiliar alguém, a dor seria diminuída em todos os quadrantes deste nosso planeta.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. O vendedor de cântaros, do livro À sombra do olmeiro, pelo Espírito Um jardineiro, psicografia de Dolores Bacelar, ed. Correio Fraterno do ABC.

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