sábado, 4 de março de 2017

Presunção e grandeza real

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Na relva verdejante, uma violeta colorida exalava seu perfume. Um animal invejoso, que por ali passava, a ameaçou: "Vou te esmagar e acabar com a tua beleza." 

Ela não se perturbou e respondeu: "Se me esmagares, eu te abençoarei com o meu perfume e viverei impregnada em ti." 

Na noite calma, o pirilampo divertia-se a acender e apagar sua lanterna. Sentia-se feliz em trazer os raios das estrelas nas pequenas asas. 

O sapo, que coaxava à beira da lagoa, o invejou e ameaçou: "Vou te cobrir de baba peçonhenta e vou apagar a tua luz." 

O pequenino inseto sorriu e contestou: "Se me cobrires de peçonha, eu a sacudirei toda, libertando-me. Depois, prosseguirei a brilhar." 

A flauta, recostada em um estojo de veludo, zombou de um ágil rouxinol preso em uma gaiola de madeira: "Sou maior do que tu e mais nobre. Tu estás preso em uma gaiola de madeira. Eu, repouso tranqüila em rico estojo de veludo. Sou toda de prata, passeio por mãos perfumadas e recebo os beijos do artista que me sopra. És um pobre coitado!" 

A avezinha feliz, embora prisioneira, respondeu: "Não te invejo, amiga. É verdade que és muito preciosa, bela e forte. Eu sou uma pequena ave, frágil e prisioneira. 

Apesar disso, desfruto de alegria porque posso cantar, quando queira. Não preciso esperar que ninguém me sopre." E, embevecida, pôs-se a trinar. 

A vela mal foi acesa, tremeluziu e, embora espalhando fraca luminosidade, espancou as trevas próximas. 

Orgulhosa, passou a se gabar de ter vencido a sombra. 

Uma estrela de primeira grandeza, fulgurando no infinito, prosseguiu espalhando a sua intensa luz, sem nada comentar. 

O pavio, na lamparina, dizia de forma petulante ao azeite em que estava mergulhada: "Como és pegajoso e desagradável. Nem podes imaginar o quanto te desprezo." 

O combustível, atento ao seu mister, nada disse. Continuou a servir, humilde, permitindo que a lamparina ardesse e brilhasse, porque essa era a sua tarefa. E a desejava cumprir com alegria. 

O regato corria risonho por entre as pedras miúdas. Olhando para suas margens, acusou a vegetação abundante de lhe roubar o líquido precioso. 

Mãos irresponsáveis vieram, um dia, e arrancaram violentamente toda a vegetação. O córrego sorriu, satisfeito. 

Tempos depois, sem a defesa natural que a sombra lhe propiciava, a ardência do sol absorveu a água e o regato desapareceu. 

O orgulho e a soberba são sempre ilusórios. Fenecem como a erva no campo, ante a canícula insistente. 

A humildade, por sua vez, permanece e felicita. 

Sê tu aquele cuja importância ninguém nota. Mas, quando se faz ausente, de imediato tem sua ausência percebida. 

Cumpre, assim, com o teu dever. E, não te preocupes com a presunção dos que estão enganados; daqueles que acreditam que são as criaturas mais importantes da terra. 

Continua a agir no bem, a servir sempre. 

Age com inteireza e nunca passarás, mesmo que a morte te arrebate ou te ausentes para outras paragens, por alongado tempo. 
*   *   * 
Mantém acesa a luz do entusiasmo em tuas realizações e, sabendo-te fadado à grande luz, deixa que brilhem as tuas aspirações nobres. 

Se não podes ser o pão que repleta as mesas, sê o grão de trigo e confia no futuro.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. Presunção e grandeza real, do livro Em algum lugar do futuro, Espírito Eros, por Divaldo Franco e cap. XX e XXX do livro Afinidade, do Espírito Joanna de Ângelis, ed. Leal.

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Barrinhas e Divisórias

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