domingo, 26 de março de 2017

Entre as rosas

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Era final de inverno... 

Mais um ano havia passado e não se chegara a nenhuma conclusão. 

Os partidários das diversas facções, dia após dia, perdiam-se em longas e intermináveis discussões sobre esta ou aquela candidata, sem chegarem a um consenso. 

Decantava-se a beleza da papoula, as qualidades das alfazemas, o perfume dos cravos, as virtudes de pureza e humildade de lírios e violetas. 

Tudo em vão... 

Num canto despretensioso do mundo, onde as espécies vegetais cresciam silenciosamente, um pequeno arbusto travava sua luta diária pela sobrevivência, alheio a toda sorte de discussões. 

Conformada com sua forma tosca, retorcida, prenhe de espinhos pontiagudos e consciente de que nunca alcançaria a beleza de um dente-de-leão, acostumara-se a ser desprezado e humilhado, sem, no entanto, deixar de prestar atenção nas pequenas criaturas que dependiam de sua existência para sobreviver. 

A elas dedicava a sua vida, emprestando a segurança de seu tronco e ramos para abrigar insetos das chuvas e ventanias. 

Era feliz, pois, se não tinha a beleza, tinha a utilidade, e isso lhe bastava. 

Naquela manhã fria de final de invernia, ainda não totalmente desperta da noite, a plantinha rude viu despregar do céu uma linda estrela cor de prata. 

Sorrindo, acompanhou-lhe a trajetória em arco perfeito pelo céu escuro, descendo, descendo... Em direção à floresta ainda adormecida. 

Era tão suave e linda aquela forma, que, instintivamente, todos na floresta, árvores, arbustos, pássaros e flores, acordados pela luz repentina, curvavam-se para vê-la passar. 

A estrela flutuou entre sorrisos, agradecendo a simpatia da floresta, até chegar perto do arbusto cheio de espinhos. 

Aproximou-se lentamente da plantinha e falou-lhe docemente. 

Não te inscrevestes na eleição da rainha das flores, por isso vim pessoalmente buscar-te... 

Mas, senhora... gagejou a planta, ...eu?? Como posso aspirar a ser rainha de qualquer coisa... não vês o quanto sou feia!! 

O Senhor da vida ordenou-me que viesse buscá-la... 

Se este é o seu desejo...aqui me tens, senhora... 

E partiram em um rastro de luz, na direção do conselho das flores. 

As demais candidatas riram-se da pretenciosa intenção daquele feio arbusto. 

A platéia silenciou quando entrou no ambiente a primavera, anunciada pelo som de mil clarins. 

O arbusto, espantado, reconheceu a estrela que a trouxera até ali. 

Então, senhores conselheiros - questionou a primavera- o Senhor da vida deseja saber se já encontraram a legítima representante de Seu Reino? 

Não, senhora. 

Estávamos para decidir-nos, quando fomos interrompidos pela vaidade dessa planta sem qualidades que aí está. 

Veja! Quanta ousadia... 

A primavera voltou-se para a plantinha que chorava de vergonha e humilhação e perguntou: 

O que mais desejas nesta vida? E a planta respondeu entre lágrimas... 

Amar e ser amada... 

A primavera, então, tocou os galhos espinhosos e, logo, botões surgiram dos galhos semi-nus, abrindo-se em mil pétalas sedosas, de perfume inesquecível... 

Qual é o teu nome? Perguntaram todos. 

Eu sou a rosa... 

*** 

Quando o amor tocar os espinheiros do mundo, as rosas brotarão em cada alma. Tal é a lei de amor, como ensinou Jesus...


Redação do Momento Espírita

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Myrna.