quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O que fica oculto

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Atualmente, todos clamam contra a impunidade. 

Os meios de comunicação desvendam, sem cessar, variados tipos de ilícito e causa indignação constatar como o processo de punição é moroso e falho. 

Muitos corruptos encontram brechas no sistema legal e escapam ilesos. 

Grandes criminosos persistem livres, enquanto lançam mão de incontáveis recursos judiciais. 

O dinheiro público some sem que ninguém seja responsabilizado. 

Obras são superfaturadas e os encarregados afirmam total ignorância do ocorrido. 

Enquanto isso, a sociedade brada indignada e pede providências. 

Entretanto, a justiça humana reprime apenas as condutas mais escandalosas. 

O legislador terreno elege alguns dos comportamentos mais deletérios ao convívio social e os proíbe mediante punições. 

Ainda assim, os responsáveis, não raro, logram burlar as consequências legais. 

Ocorre que, acima e além dos regramentos humanos, pairam soberanos os Códigos Divinos. 

Eles estabelecem a fraternidade, a pureza, o trabalho e a honestidade como deveres incontornáveis. 

Para estar em harmonia com o Estatuto Divino não basta parecer levar uma vida reta. 

De pouco adianta cumprir ritos ou ofertar ao mundo uma aparência de recato e sobriedade. 

Inúmeros pequenos gestos implicam violação à lei de harmonia que rege a vida. 

Os pais que não educam seus filhos violam uma missão sagrada que lhes foi confiada. 

Ao não dedicar tempo ao burilamento moral de seus rebentos, desdenham a Lei de Trabalho. 

Consequentemente, respondem pelos desvios causados por sua inércia. 

Cônjuges que se infelicitam, por palavras e gestos, desconsideram o mandamento da fraternidade. 

Comentários cruéis a respeito do próximo igualmente vibram negativamente perante a Consciência Cósmica. 

A vivência de tumultuosas paixões, atos que maculam a inocência alheia, o desamparo material ou moral de parentes necessitados ou enfermos... 

Muitos são os exemplos de condutas não reprimidas pela legislação humana, mas incompatíveis com a Lei Divina e Natural. 

Convém refletir sobre isso, sempre que surgir forte o desejo de bradar contra a impunidade do próximo. 

Ninguém advoga que atos desonestos persistam isentos de consequências. 

A sociedade necessita de regras para que o convívio de seus membros siga harmônico. 

O desrespeito a essas regras precisa ser reprimido, sob pena de se instaurar a anarquia. 

Mas, se o equívoco deve ser combatido, isso não pode implicar odiar os equivocados. 

É preciso medir a própria fraqueza antes de lapidar os outros. 

As Leis Divinas jamais são enganadas. 

Embora certas baixezas permaneçam ocultas, ainda assim elas têm consequências impostas pelas Leis Divinas. 

Por ora, a maioria dos habitantes da Terra ainda foge de algum modo de seu dever. 

Assim, importa lançar um olhar generoso ao próximo, enquanto se cuida de corrigir o próprio comportamento. 

Urge gradualmente passar a não apenas afetar pureza, mas a vivê-la em plenitude. 

Se você é a favor da responsabilização pelos atos praticados, veja como age em todos os setores de sua vida. 

Cuide para que o que fica oculto não o condene perante sua consciência. 

Você jamais poderá enganá-la. 

Pense nisso.


Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. Fep.

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