terça-feira, 3 de maio de 2016

Dilemas morais


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Nossa sociedade vive uma crise de valores. 

Há notícias de corrupção nos mais variados setores. 

Entre a tentação e o dever, a primeira tem prevalecido. 

Esse clima pode gerar descrença no futuro. 

Contudo, uma pequena retrospectiva histórica auxilia a manter a esperança. 

Embora de forma lenta, a Humanidade vem refinando seus valores. 

Há pouco tempo eram admitidas práticas hoje amplamente repudiadas. 

Por exemplo, a escravidão, a prisão por dívidas e o assassinato como forma de defesa da honra. 

A igualdade da mulher perante o homem constitui conquista recente da Civilização. 

Por certo, um padrão ilibado de conduta permanece distante da ampla maioria das pessoas. 

A honestidade ainda é uma casca muito fina a encobrir o desejo de levar vantagem. 

Se há a perspectiva de lucrar indevidamente, sem ser apanhado, muitos sucumbem. 

E tal se dá nos mais variados planos da existência humana. 

São comuns condutas sexuais desequilibradas, traições conjugais e profissionais, fofocas e trapaças. 

As pessoas se permitem tais desvirtuamentos na crença de que assim agem na conquista da felicidade. 

Ocorre que não há felicidade sem paz e nem paz sem consciência tranqüila. 

A tranqüilidade da consciência, por sua vez, pressupõe o dever bem cumprido. 

Conseqüentemente, traições, mentiras, preguiça e desonestidade não trazem felicidade para ninguém. 

Muitos se perguntam a razão pela qual os anseios do coração tão freqüentemente conflitam com o dever. 

É como se a vida negasse deliberadamente o que a criatura considera o ideal para ser feliz. 

O Espiritismo ajuda a entender esse aparente conflito. 

Ele ensina que os espíritos encarnam infinitas vezes, com o propósito de se aperfeiçoarem. 

Todos se destinam à mais completa felicidade. 

Na plenitude de sua evolução, serão anjos, plenos de amor e sabedoria. 

No princípio, são grandemente guiados pelos instintos. 

Mas de forma gradual desenvolvem a razão e conduzem-se por ela. 

Nesse gigantesco caminhar, cometem alguns equívocos e desenvolvem outros tantos vícios. 

Com o passar do tempo e o crescer espiritual, muitas fissuras morais não mais se justificam. 

A consciência despertada para realidades superiores clama por corrigenda. 

No plano espiritual, entre as existências terrenas, o Espírito contempla sua situação. 

Verifica quais vícios e equívocos prejudicam sua marcha para a plenitude e decide superá-los. 

Então, programa para si uma existência terrena com o intuito de melhorar-se. 

Assume compromissos de trabalho, voltados à sua reforma pessoal. 

Aceita como parentes Espíritos com quem tenha problemas para resolver. 

Pede para vivenciar algumas dificuldades, com a finalidade de corrigir-se. 

É por isso que na vida terrena o dever entra em conflito com os interesses pessoais e as paixões. 

De um lado há o homem velho, tentado pela perspectiva de cometer novamente antigos equívocos. 

De outro, um elaborado projeto de disciplina e engrandecimento pessoal. 

Se você deseja ser feliz, jamais titubeie entre a tentação e o dever. 

Perante um dilema moral, adote a conduta mais digna possível, mesmo que penosa. 

O comportamento digno e o cumprimento do dever o libertarão do passado e o habilitarão a vivências sublimes. 

Ao passo que ceder às tentações implicará a necessidade de retomar a tarefa no futuro, provavelmente em circunstâncias mais árduas. 

Pense nisso.


Equipe de Redação do Momento Espírita.


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