sábado, 30 de abril de 2016

Ouvindo corações


Grande sabedoria é saber olhar a vida com olhos de ver. Enxergar as coisas de maneira diversa da habitual. Ir além das aparências. 

Nós não somos apenas ossos, músculos, tendões, unhas, cabelos, sangue. Somos tudo isso e mais a essência, o espírito. 

É essa essência que nos faz ficar doentes ou recuperar a saúde de uma doença sem bons prognósticos. 

Assim, não se pode imaginar medicina sem os remédios, bisturis, equipamentos, poções. Mas, a essência não pode ser esquecida. 

Dr. Josh era um talentoso cirurgião oncológico. Depois de alguns anos, começara a ter problemas. 

Mal conseguia se levantar da cama todas as manhãs porque sabia que iria ouvir as mesmas queixas, dia após dia. 

De tanto ouvir falar de dores e assistir ao sofrimento, deixara de se importar. 

Para que tudo aquilo, afinal? Muitos pacientes ele nem conseguia que se recuperassem. 

Então, uma amiga lhe observou que ele precisava ter novos olhos. O importante não era mudar de hospital, de atividade. Era ele olhar o mesmo cenário, de forma diferente. 

E lhe sugeriu que, a cada dia, durante 15 minutos, ele rememorasse os acontecimentos e respondesse a si mesmo: "o que me surpreendeu hoje? O que me perturbou ou me emocionou hoje? O que me inspirou hoje?" 

Ele ficou em dúvida, mas tentou. Três dias depois, a única resposta que conseguia dar para as três questões era nada, nada, nada. 

A amiga lhe sugeriu que ele olhasse as pessoas ao seu redor como se fosse um escritor, um jornalista, ou quem sabe, um poeta. Procurasse histórias. 

Seis semanas depois, Josh encontrou-se com ela, outra vez e lhe falou das suas experiências. Estava mudado. Sereno. 

Nos primeiros dias, a única coisa que o surpreendera tinha sido o tumor de algum paciente que diminuía ou regredira poucos centímetros. 

O mais inspirador, uma droga nova, ainda em experiência, a ser ministrada aos pacientes. 

Certo dia, observando uma mulher de apenas 38 anos, que ele havia operado de um câncer no ovário, tudo mudou. 

Ela estava muito debilitada pela quimioterapia. Sentada em uma cadeira, tinha ao seu lado as filhas de quatro e seis anos. As duas meninas estavam bem arrumadas, felizes e amadas. 

"como ela fazia aquilo?" 

Aproximou-se e lhe disse que a achava uma mulher maravilhosa, uma mãe fora do comum. Mesmo depois de tudo o que havia passado, ele observava que havia dentro dela algo muito forte. Uma força que a estava curando. 

A partir daí, ele começou a perguntar aos pacientes o que lhes dava forças na sua luta contra a doença. 

As respostas eram muito diversas. O importante é que ele descobriu que tinha interesse em ouvir. 

Se antes já era um excelente cirurgião, deu-se conta de que agora, e somente agora, as pessoas vinham lhe agradecer pela cirurgia. Algumas até lhe davam presentes. 

Mudou o seu relacionamento com os doentes. Contando tudo isso para a amiga, ele retirou do bolso um estetoscópio com seu nome gravado e o mostrou, comovido. Presente de um paciente. 

Quando a amiga lhe perguntou o que é que iria fazer com aquilo, ele sorriu e respondeu: "ouvir os corações, Rachel. Ouvir os corações." 

      

Todas as vidas têm um significado. Encontrar o sentido das coisas nem sempre é fazer algo diferente. Por vezes, é somente enxergar o cotidiano, a rotina de uma forma diferente. 

A vida pode ser vista de várias maneiras: com os olhos, com a mente, com a intuição. 

Mas a vida só é verdadeiramente conhecida por aqueles que falam e ouvem a linguagem do coração.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. Encontrando novos olhos, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante e da crônica Colcha de retalhos, de Luiz Carlos Prates (Diário Catarinense, 15.9.2003).


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Questão de Escolha


Procure um delinquente e encontrará muitos malfeitores. É necessário, então, que você possua imenso cabedal de amor para renová-los, sem fazer-se criminoso também.

Busque identificar uma falta e achará inúmeras. Chegando a essa situação, é imprescindível que você esteja bastante esclarecido para não acrescentar seus erros aos erros alheios.

Tente situar um espinho e vários espinheiros virão ao seu encontro. Em face de tal contingência, é necessário que você permaneça eminentemente equilibrado para não ferir-se.

Fixe com demasiada atenção uma pedra da estrada e, em breve, o solo estará empedrado aos seus olhos. Depois disso, você necessitará de muita resistência para não sucumbir às asperezas da jornada.

Aproxime-se do bem, procure-o com decisão e a bondade virá iluminar seu caminho. Somente aí você surgirá perfeitamente armado para vencer na guerra contra o mal.

(André Luiz)
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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Em favor de você mesmo


Aprenda a ceder em favor de muitos, para que alguns intercedam em seu benefício nas situações desagradáveis.

Ajude sem exigência para que outro o auxilie, sem reclamações.

Não encarcere o vizinho no seu modo de pensar; dê ao companheiro oportunidade de conceber a vida tão livremente quanto você.

Guarde cuidado no modo de exprimir-se; em várias ocasiões, as maneiras dizem mais que as palavras.

Refira-se a você o menos possível; colabore fraternalmente nas alegrias do próximo.

Evite a verbosidade avassalante; quem conversa sem intermitências, cansa ao que ouve.

Deixe ao irmão a autoria das boas idéias e não se preocupe se for esquecido, convicto de que as iniciativas elevadas não pertencem efetivamente a você, de vez que todo bem procede originariamente de Deus.

Interprete o adversário como portador de equilíbrio; se precisamos de amigos que nos estimulem, necessitamos igualmente de alguém que indique os nossos erros.

Discuta com serenidade; o opositor tem direitos iguais aos seus.

Se você considerar excessivamente as críticas do inferior, suporte sem mágoa as injunções do plano a que se precipitou.

Seja útil em qualquer lugar, mas não guarde a pretensão de agradar a todos; não intente o que o próprio Cristo ainda não conseguiu.

Defrontado pelo erro, corrija-o primeiramente em você, e, em seguida, nos outros, sem violência e sem ódio.

Se a perfídia cruzar seu caminho, recuse-lhe a honra da indignação; examine-a, com um sorriso silencioso, estude-lhe o processo calmamente e, logo após, transforme-a em material digno da vida.

Ampare fraternalmente o invejoso; o despeito é indisfarçável homenagem ao mérito e, pagando semelhante tributo, o homem comum atormenta-se e sofre.

Habitue-se à serenidade e à fortaleza, nos círculos da luta humana; sem essas conquistas dificilmente sairá você do vaivém das reencarnações inferiores.

(André Luiz)

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Um feliz e abençoado dia!!!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Viver conscientemente

Você já pensou na diferença entre viver e existir? 

Embora uma análise superficial dos dicionários nos dê a impressão de que os dois termos têm significados iguais, uma busca atenciosa pode sugerir algumas diferenças. 

Para viver, basta ter vida. Todos os seres orgânicos vivem. 

Para existir é preciso um certo grau de consciência. É saber retirar da vida o que ela tem de melhor para a evolução do ser. 

Um sábio da antigüidade expressou bem essa idéia sintetizando-a em uma frase célebre: "penso, logo, existo." 

Existir pressupõe uma ação consciente, exige a ação do pensamento. 

Existir é ser, estar, permanecer. 

Sob esse ponto de vista, podemos nos questionar se existimos de fato ou simplesmente vivemos, passando pela vida de forma quase inconsciente. 

Grande parte dos seres humanos vive sem dar a devida atenção às circunstâncias à sua volta. 

Permitimos que a nossa existência se transforme num automatismo pernicioso e paralisante. 

É como se, ao acordar pela manhã, ligássemos o "piloto automático" e nos deixássemos por ele conduzir, sem estar efetivamente desperto. 

A tal ponto isso é real que, ao anoitecer, poucos se lembram dos fatos ocorridos no decorrer do dia. 

E esse tipo de comportamento é extremamente prejudicial porque nos conduz ao final da vida física sem que tenhamos retirado dela os ensinamentos necessários. 

Não é outro o motivo pelo qual as massas são facilmente conduzidas, tangidas pelas idéias dos que pensam e gostam de manipular seres distraídos. 

É dessa forma que somos seduzidos pelos modismos, vícios, e outros interesses mesquinhos que surgem apontando soluções fáceis, mas ilusórias. 

Vale a pena que demos outro sabor à nossa vida e passemos a existir conscientemente. 

Refletindo no que é melhor para nós mesmos e para nossos familiares, amigos e vizinhos. 

Não nos deixando levar por propostas infelizes que só nos farão sofrer mais tarde. 

Procurando conjugar o verbo ser, ao invés de nos atermos somente no ter. 

Analisar as mensagens veiculadas pela mídia, a fim de que possamos retirar as boas idéias e descartar as que complicarão as nossas vidas. 

Assim, a opção será sempre nossa: passar pela vida como autômatos ou existir com consciência desperta. 

Aquele que opta por viver como outro ser orgânico qualquer, teme a morte física. Mas aquele que existe de forma consciente, passa a aduana do túmulo com lucidez e segue existindo. 

Pense nisso! 

Há pessoas que vivem praticamente do estômago para baixo. Comem, bebem, fazem sexo, torcem para seu time favorito, brigam por ele, dormem e, por fim, morrem. 

Esses são os chamados "homens fisiológicos". 

Só pensam em si mesmos. Encaram o trabalho como uma obrigação e não ensinam a ninguém o pouco que sabem. 

E há os homens psicológicos. São aqueles que, sem deixar de atender as funções fisiológicas, têm muita fome intelectual. 

Lêem bastante, meditam, raciocinam, iluminam a mente com idéias salutares e contribuem positivamente para um mundo melhor. 

Seu trabalho é eficiente e geralmente fazem o que podem para ensinar aos colegas tudo o que sabem. 

São pessoas que existem de forma consciente. Têm, no dizer de Jesus, olhos de ver e ouvidos de ouvir. 

Pense nisso!


Redação do Momento Espírita
  

terça-feira, 26 de abril de 2016

Você já serviu de ponte?

Bem ensina Emmanuel: A natureza é sempre o celeiro abençoado de lições maternais. Em seus círculos de serviço, coisa alguma permanece sem propósito, sem finalidade justa.

Nela vemos o ensino de tudo: qualquer elemento, qualquer coisa, uma paisagem, a árvore, o rio, a fonte, tudo nos dá lições, quando vestidos com a virtude da humildade, sem visões estreitas, lemos o livro de Deus.

Chico Xavier, sempre inspirado, certa feita, passando por sobre uma ponte, lembrou Casimiro Cunha e um de seus poemas que havia psicografado:

Ponte silenciosa, 
no esforço fiel e ativo,
é um apelo à lei de amor, 
sempre novo, sempre vivo.


Vendo-a nobre e generosa, 
servindo sem altivez,
convém saber se já fomos 
como a ponte alguma vez.

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Chico Xavier lembrou também de haver Emmanuel, seu guia espiritual, lhe perguntado, certo dia:

Você já serviu de ponte alguma vez, Chico? Ao que ele silenciara.

Mas, dias depois, viajando com um sacerdote, de Pedro Leopoldo para Belo Horizonte, num ônibus, recordara da pergunta de seu querido guia e vira-se servindo de ponte.

Com uma hora de boa conversa, repartiu com o irmão e companheiro de viagem o que já havia aprendido.

Sentiu que fora ponte para que aquele servo do Cristo, em tarefa testemunhal, ganhasse a outra margem do conhecimento sobre o amigo celeste e se sentisse maravilhado.

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E nós? Já servimos de ponte em algum momento?

Já servimos de conciliador em alguma discussão ou querela entre duas pessoas?

Já ajudamos alguém a atravessar os rios da ignorância e o conduzimos às margens seguras do conhecimento?

Já servimos de ponte entre o desespero e o consolo?

Já estendemos nossas mãos amparando alguém na travessia de momentos de tormento?

Já fomos ponte entre as coisas da Terra e o Criador, ensinando alguém a orar com fé, com o coração?

Já fomos ponte entre os olhos baixos e um sorriso sincero?

Quantas vezes podemos ser pontes e deixamos passar a oportunidade...

Ser esse elo de ligação entre duas situações opostas, entre duas realidades, entre dois lugares ou estados d´alma, é missão importantíssima.

Inspiremo-nos na ideia dessa construção fascinante e sua função nobre, servindo sem esperar aplauso ou temer reproche - a ponte silenciosa.

Sejamos ponte e estendamo-nos com alegria para todos os que estejam ao nosso redor.

Que bela ponte foi o querido Chico Xavier, unindo dois mundos através de sua mediunidade bendita.

Quantos corações consolados... Quantas mentes esclarecidas com a realidade do mundo espiritual, que coexiste com o nosso, desde sempre.

Serviu sorrindo e amando cada ser que atravessava por ela.

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Ponte silenciosa,
no esforço fiel e ativo,
é um apelo à lei de amor, 
sempre novo, sempre vivo.


Vendo-a nobre e generosa, 
servindo sem altivez, 
convém saber se já fomos 
como a ponte alguma vez.



Redação do Momento Espírita com base no cap. 36, do livro Lindos casos de Chico Xavier, de Ramiro Gama, ed. Lake.
Em 01.10.2012.
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