sexta-feira, 14 de agosto de 2015

"Todo homem sábio é sereno. A serenidade é conquista que se consegue com o esforço pessoal, passo a passo. Pequenos desafios que são superados, irritações que conseguimos controlar; desajustes emocionais corrigidos; vontade bem direcionada; ambição freada são todas experiências para a aquisição da serenidade. Um espírito sereno é aquele que já se encontrou consigo próprio, sabendo exatamente o que deseja da vida. A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de forma agradável para os que estão à volta. Inspira confiança, acalma e propõe afeição. O homem que consegue ser sereno já venceu grande parte da luta. Assim, não permita que nenhuma agressão exterior lhe perturbe, causando irritação e desequilíbrio. Procure manter a serenidade em todas as realizações. A sua paz é moeda arduamente conquistada, que você não deve atirar fora por motivos irrelevantes. Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, que jamais se perdem, e sempre seguem com você. Quando esteja diante de alguém que engana, traindo a sua confiança, o seu ideal, procure manter-se sereno. O enganador é quem deve estar inquieto, e não a sua vítima. No seu círculo familiar ou social, você sempre irá se defrontar com pessoas perturbadas, confusas e agressivas. Não se desgaste com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam. Elas são um teste para sua paciência e serenidade. Procure manter-se sempre em contato com o alto, através da prece e em contato consigo mesmo, buscando continuamente compreender as situações que a vida lhe apresenta, enxergando-as como oportunidades, e não como crises. Quem consegue manter a serenidade diante das pequenas dificuldades que surgem, vence mais facilmente os grandes desafios. O homem sereno consegue viver mais feliz, pois nada parece afligi-lo a ponto de faze-lo desistir dos sonhos que traçou para si mesmo. O homem sereno jamais busca resolver suas questões através de comportamento violento, e por isso há mais paz em sua vida. A serenidade que Jesus mantinha em seu coração era algo sublime. Poucos eram aqueles que não se emocionavam em sua presença, pois esta virtude se exteriorizava pelo olhar tranquilo e profundo, irradiava pelo semblante carinhoso e pacífico; emanava pelas palavras ditas com tanto amor, que pareciam beijar e abraçar aqueles que as ouviam. Poucos foram aqueles que não tiveram seus olhares inundados, por estarem na companhia do espírito mais sereno que já esteve na face da terra." (Divaldo Franco)

Gif natureza
Lições das árvores


Se as árvores pudessem falar, o que nos diriam? Que segredos poderíamos saber a partir dos seus relatos?

Elas resistem aos temporais, ao calor, às chuvas, aos ventos. Muitos se abrigam sob sua sombra, servem-se dos seus frutos.

Quantas gerações sobem em uma mesma árvore, através dos anos?

De uma forma romântica, quando olhamos para uma pintura de Auguste Renoir, Paysage aux collettes, e vemos, em primeiro plano, duas árvores retorcidas, retratando uma paisagem do local em Cagnes-sur-mer, que ele transformara em sua residência de inverno, não podemos nos furtar a imaginar as árvores que o terão inspirado.

E se pudéssemos entrevistar uma delas, que nos poderia dizer dessa genialidade que foi um dos maiores mestres da pintura impressionista, ao lado de Degas e Monet?

Talvez nos confidenciasse algo mais ou menos assim: Eu posei para Renoir. Foi minha natureza selvagem que atraiu a atenção daquele gênio.

Quatro séculos de vento e sol na Provença, na França, me deram o formato contorcido. Mas eu morreria se não fosse ele.

Em junho de 1907, ele comprou a terra debaixo das minhas raízes, em Les Collettes e impediu que um horticultor cortasse todas as árvores para plantar cravos.

Ele transformou este local em seu refúgio para o trabalho e a vida doméstica.

Na época, Renoir tinha sessenta e seis anos e já andava como um velho. Os filhos o carregavam para se sentar nas minhas raízes com seu cavalete.

Certo dia, eu o ouvi se queixar de mim ao seu marchand, Ambroise Vollard: “As oliveiras são horríveis de pintar.

Se você soubesse a dificuldade que tenho com esta aqui...

Ela tem tantas cores, nada é cinza. As folhinhas minúsculas realmente me fizeram suar! Uma lufada de vento e o tom muda.”

E, no entanto, ele me imortalizou. Poderei ser arrancada algum dia, ou ceder aos golpes de um machado cruel, e não morrerei.

Minha essência foi captada por ele e colocada na tela, em especial colorido.

E, embora Auguste Renoir reclamasse de mim, posso afirmar que fomos irmãos. Seus dedos deformados pelo reumatismo se pareciam com os meus galhos.

Há muito ele se foi, mas não esqueci um segundo do tempo que passamos juntos
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*     *     *

Seria verdadeiramente maravilhoso se entrevista deste gênero se pudesse concretizar. Seriam tantas as informações que nos poderiam fornecer as árvores que assistiram batalhas notáveis, com vencedores e vencidos; Ou as árvores das ruas, que veem passar as crianças, se tornarem adultos e terem seus próprios filhos.

Que nos poderia confidenciar aquele resistente carvalho polonês, crescido à entrada de um quartel, que se transformou em um campo de concentração nazista?

Quantas vítimas passaram sob seus galhos? Quanta fumaça dos fornos crematórios terá respirado?

Sim, elas não podem falar. São testemunhas mudas. No entanto, nos dão a lição da serenidade pois assistem beleza, morte, tristeza, com a mesma serenidade.

Acompanham o decorrer do tempo e não lastimam a soma dos anos. Em sua imobilidade, nos lecionam resistência. E, não importando a maldade ou a bondade das criaturas, oferecem a mesma sombra, os mesmos frutos, servindo sempre.

Pensemos nisso. Aprendamos com elas.




Redação do Momento Espírita, com base no artigo O que a árvore viu, de Seleções Reader’s Digest, de agosto de 2013.
Em 22.9.2014.






Gif de planta
Um feliz e abençoado dia!!!

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Myrna.