quinta-feira, 25 de junho de 2015

"A vida na Terra é repleta de percalços. Ninguém passa a existência sem enfrentar desafios. Os obstáculos destinam-se a fortalecer o homem, a testar a firmeza de seu caráter e a torná-lo melhor. Nessa linha, problemas não são desgraças, mas lições. A criatura deve mobilizar suas forças íntimas para superar as dificuldades com que se defronta. A ninguém é lícito assumir atitude derrotista, desistindo previamente da luta. Como o homem foi contemplado com o dom da inteligência, deve utilizá-lo para viver cada vez melhor. Esse viver melhor não se refere a aspectos materiais. A plenitude do viver constitui um conceito amplo, que engloba a consciência tranqüila pelo dever bem cumprido. Assim, é importante cada qual analisar sua própria vida. Identificar suas dificuldades, materiais e morais, e assumir a responsabilidade por elas. O homem necessita amadurecer para não atribuir a terceiros o ônus de resolver os seus problemas. Demonstra infantilidade quem pretende que os outros sejam a causa de sua infelicidade. É preciso cessar de culpar o governo, os pais, o chefe, os vizinhos ou a quem quer que seja. Cada qual recebe da vida exatamente a tarefa necessária ao seu crescimento. Como os homens são diferentes, os problemas que enfrentam também o são. Na jornada pela eternidade, cada espírito tem o que trabalhar em si. Um necessita fortificar sua vontade na luta constante com dificuldades materiais. Outro precisa desenvolver a paciência, perante familiares de difícil trato. Um terceiro é carente de sensibilidade e vive às voltas com dores e enfermidades. Há ainda quem deve resistir à tentação do orgulho e da vaidade e nasce em meio a riquezas. A vida na Terra é uma escola. Cada homem está às voltas com a sua lição. Seu papel é mostrar-se digno e vigoroso em sua luta, e auxiliar o próximo, pois todos são companheiros na jornada evolutiva. Não ceda à tentação de responsabilizar os outros pelo que lhe acontece. Não imagine que alguém tem o dever de resgatá-lo de suas dificuldades. Certamente a solidariedade é uma lei da vida. Contudo, também a responsabilidade pelo próprio viver constitui uma regra a ser observada. Seja vigoroso e determinado. Trabalhe, estude, seja valente. Cesse as lamentações e mobilize suas forças para atingir suas metas. Não espere que ninguém faça sua tarefa. Identifique e dome suas más inclinações. Visualize a pessoa que você quer ser e faça o que estiver ao seu alcance para se tornar assim. Mas preserve sua dignidade, pois de nada adianta uma falsa vitória. Mais importante do que resultados materiais é a conquista e a preservação da nobreza de seu caráter. Certas dificuldades são inevitáveis, mas você decide como se comportar perante elas. Em qualquer circunstância, mire-se nos exemplos do Cristo. O mestre não desdenhou o trabalho duro, as viagens constantes com o sol a pino. Conviveu com a ignorância e a beligerância, disciplinou almas rudes. Enfrentou a dor e a morte, mas a tudo venceu. Corajoso e amoroso, Jesus fez o convite. Quem desejar, deve tomar sua cruz e segui-Lo. A cruz representa as dificuldades que todo homem deve superar, preservando sua fidelidade a Deus." (Redação do Momento Espírita)

 
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Terceirizando responsabilidades
 

Um artigo publicado no jornal nos chamou a atenção, pelo tema enfocado. Tratava das desculpas que sempre damos para justificar a nossa infelicidade.

O articulista dizia que um amigo seu, depois de mais de uma década de casamento infeliz, separou-se e, após temporária euforia, caiu em profunda tristeza.

Curioso, perguntou-lhe: "qual a razão para tanto sofrimento?".

E seu amigo respondeu: "aquela maldita está me fazendo uma grande falta, pois agora já não tenho a quem culpar pela minha infelicidade".

O curioso é que muitas vezes nós também agimos de maneira semelhante, pois sempre estamos à procura de alguém a quem responsabilizar pela nossa infelicidade.

E isso é resultado do atavismo que trazemos embutido na nossa forma de pensar e agir.

Quando somos jovens ouvimos nossos pais e amigos dizerem que um dia encontraremos alguém que nos faça feliz.

Então acreditamos que esse alguém tem a missão de nos trazer a felicidade. E passamos a aguardar que chegue logo para fazer o milagre.

Mas, antes disso, quando ainda somos criança, nossos pais acham sempre algo ou alguém a quem culpar pelo nosso sofrimento.

Se nos descuidamos e tropeçamos numa pedra, a culpa foi da pedra, que não saiu da nossa frente.

Se brigamos com o amiguinho, foi ele que nos provocou. Se tiramos nota baixa na escola, a culpa é do professor que não soube nos ensinar.

E é assim que vamos terceirizando nossos problemas e nossa felicidade. E, por conseguinte, as responsabilidades e as soluções.

Se sinto ciúmes, é porque a pessoa com quem me relaciono não permite que eu dirija a sua vida. Embora devesse admitir que é porque não sinto confiança em mim.

Se a inveja me consome, a culpa é de quem se sobressai, de quem estuda mais do que eu, de quem avança e não me dá satisfação dos seus atos.

Se alguém do meu relacionamento tem mais amizades e recebe mais afeto do que eu, fico inventando fofocas para destruir as relações, em vez de conquistar, com sinceridade e dedicação, o afeto que desejo.

Se uma amiga, ou amigo, faz regime e emagrece, e eu não consigo, fico infeliz por isso.

Se tenho problemas de saúde e não melhoro, a culpa é do médico, afinal eu o pago para me curar e ele não cumpre o seu dever..., ainda que eu não siga as suas orientações.

Se não consigo um bom emprego é porque ninguém me valoriza, e às vezes esqueço de que há muito tempo não invisto na melhoria de minha qualidade profissional.

Pensando assim, nós nos colocamos na posição de vítimas, julgando que só não somos felizes por causa dos outros. Afinal, ninguém sabe nos fazer feliz...

Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.

Se seus relacionamentos estão enfermos, analise o que você tem oferecido aos outros. De que maneira os tem tratado. Que atenção tem lhes dado.

Considere sempre que você pode ser o problema. Analise-se. Observe-se. Ouça a sua voz quando fala com os outros.

Sinta o teor de suas palavras. Preste atenção quando fala de alguém ausente.

Depois dessas observações, pergunte-se, sinceramente, se você tem problemas ou se é o próprio problema.

Não tenha medo da resposta, afinal você não deseja ser feliz?

Então não há outro jeito, a não ser enfrentar a realidade...

A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz.

Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.

E bem viver é buscar a solução dos problemas, sem terceirização...

É assumir a responsabilidade pelos próprios atos.

É admitir que a única pessoa capaz de lhe fazer feliz, está bem perto...

Para vê-la é só chegar em frente ao espelho, e dizer: "muito prazer pessoa capaz de me fazer feliz!"

Pense nisso, e vá em busca de sua real felicidade, sem ilusões e sem medo.


Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Oriovisto Guimarães, intitulado "Os verdadeiros inimigos do Brasil", publicado no jornal Gazeta do Povo, no dia 03/12/2005.
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Myrna.