segunda-feira, 20 de abril de 2015

919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? "Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo." a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo? "Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: "Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?" Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado. O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos." (Santo Agostinho) ...Comentário de Kardec: Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer máxima, que muitas vezes deixamos de aplicar a nós mesmos. Aquela exige respostas categóricas, por um sim ou não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e que são outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós." (Allan Kardec)



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Dubiedade de valores


Muitos homens vivem segundo um sistema dúbio de valores.

Constituem-se em severos críticos dos semelhantes, mas se permitem muitas baixezas.

Reclamam dos políticos desonestos.

Falam mal do colega preguiçoso.

Criticam a família do vizinho.

Entretanto, não guardam grande honestidade em seu atuar.

Se a oportunidade se apresenta, procuram o lucro fácil.

Se o caixa do mercado erra no troco, silenciam.

Na ausência do chefe, trabalham mais lentamente.

Usam o telefone da empresa para tratar de assuntos particulares.

Esse gênero de comportamento revela um caráter preguiçoso e hipócrita.

A criatura tem discernimento suficiente para identificar o comportamento ético ideal.

Tanto é assim que sabe quando seus conhecidos se desviam dele.

Entretanto, não se anima a viver com correção.

A pessoa que opta por ser leviana, sempre encontra desculpas para seu proceder.

Algumas frases permitem identificar alguém ocupado em justificar seus equívocos:

Não sou de ferro!

Sou apenas um homem!

A vida é curta!

Não sou santo!

Todo mundo faz isso!

Quem conhece o certo, mas age errado, vive dissociado de sua consciência.

Ocorre que a Lei Divina encontra-se inscrita na consciência de cada Espírito.

Chegará um momento em que contas terão de ser prestadas a esse severíssimo juiz.

Por mais que a criatura procure retardar o encontro com sua consciência, ele ocorrerá.

Então, não haverá desculpas possíveis.

A um estranho é possível enganar.

Mas a si mesmo ninguém consegue ludibriar.

Segundo a máxima bíblica, "A quem mais foi dado, mais será pedido."

Quem erra por ignorância recompõe-se facilmente com as Leis Divinas.

Mas quem erra, quando conhece o caminho correto, complica-se grandemente.

Mesmo o processo de retardar o acertamento de contas tem um preço severo.

Esse constante violar da própria essência gera enfermidades inumeráveis. Fobias, neuroses e distúrbios os mais variados surgem na vida de quem tenta fugir de sua realidade íntima.

Agir conscientemente errado implica violar o próprio estado evolutivo e viver uma mentira.

Assim, pare de se enganar.

Como deseja ser feliz, preserve a integridade de seu ser.

Não viole sua essência, não se permita agir errado.

Pouco importa se os outros são levianos.

O seu compromisso é com a sua consciência.

Se o vizinho é desonesto, ele está semeando dores para o futuro.

Mais cedo ou mais tarde, terá de devolver o que não lhe pertence.

O homem que rouba, prepara um amanhã terrível para si mesmo.

Quem desonra os lares alheios estabelece vínculos que só romperá a custo de muitas lágrimas.

Como você não deseja miséria e dor em seu destino, viva segundo um padrão ilibado de conduta.

Seja rigorosamente leal, trabalhador e generoso.

Examine diariamente seus atos.

O que não é admirável no próximo também não é bom para você.

Retifique constantemente seu proceder.

Estabeleça um sistema elevado de valores para nortear sua vida e guarde fidelidade a ele.

Ao término da experiência terrena, todos fazem um balanço do que viveram.

Cuide para que este seja um momento de glória, em que se reconheça como um ser humano digno e bom.


Equipe de Redação do Momento Espírita.

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Uma boa noite!

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Com estima e apreço,
Myrna.