segunda-feira, 16 de março de 2015

"...mas nada é puro para os contaminados e infiéis." Paulo (Tito, 1:15) ..."O homem enxerga sempre, através da visão interior. Com as cores que usa por dentro, julga os aspectos de fora. Pelo que sente, examina os sentimentos alheios. Na conduta dos outros, supõe encontrar os meios e fins das ações que lhe são peculiares. Dai, o imperativo de grande vigilância para que a nossa consciência não se contamine pelo mal. Quando a sombra vagueia em nossa mente, não vislumbramos senão sombras em toda parte. Junto das manifestações do amor mais puro, imaginamos alucinações carnais. Se encontramos um companheiro trajado com louvável apuro, pensamos em vaidade. Ante o amigo chamado à carreira pública, mentalizamos a tirania política. Se o vizinho sabe economizar com perfeito aproveitamento da oportunidade, fixamo-lo com desconfiança e costumamos tecer longas reflexões em torno de apropriações indébitas. Quando ouvimos um amigo na defesa justa, usando a energia que lhe compete, relegamo-lo, de imediato, à categoria dos intratáveis. Quando a treva se estende, na intimidade de nossa vida, deploráveis alterações nos atingem os pensamentos. Virtudes, nessas circunstâncias, jamais são vistas. Os males, contudo, sobram sempre. Os mais largos gestos de bênção recebem lastimáveis interpretações. Guardemos cuidado toda vez que formos visitados pela inveja, pelo ciúme, pela suspeita ou pela maledicência. Casos intrincados existem nos quais o silêncio é o remédio bendito e eficaz, porque, sem dúvida, cada espírito observa o caminho ou o caminheiro, segundo a visão clara ou escura de que dispõe." (Emmanuel)


Você já serviu de ponte?


Bem ensina Emmanuel: A natureza é sempre o celeiro abençoado de lições maternais. Em seus círculos de serviço, coisa alguma permanece sem propósito, sem finalidade justa.

Nela vemos o ensino de tudo: qualquer elemento, qualquer coisa, uma paisagem, a árvore, o rio, a fonte, tudo nos dá lições, quando vestidos com a virtude da humildade, sem visões estreitas, lemos o livro de Deus.

Chico Xavier, sempre inspirado, certa feita, passando por sobre uma ponte, lembrou Casimiro Cunha e um de seus poemas que havia psicografado:



Ponte silenciosa,

no esforço fiel e ativo,

 é um apelo à lei de amor,

sempre novo, sempre vivo.


Vendo-a nobre e generosa,

servindo sem altivez,

convém saber se já fomos

como a ponte alguma vez.


*    *    *

Chico Xavier lembrou também de haver Emmanuel, seu guia espiritual, lhe perguntado, certo dia:

Você já serviu de ponte alguma vez, Chico? Ao que ele silenciara.

Mas, dias depois, viajando com um sacerdote, de Pedro Leopoldo para Belo Horizonte, num ônibus, recordara da pergunta de seu querido guia e vira-se servindo de ponte.

Com uma hora de boa conversa, repartiu com o irmão e companheiro de viagem o que já havia aprendido.

Sentiu que fora ponte para que aquele servo do Cristo, em tarefa testemunhal, ganhasse a outra margem do conhecimento sobre o amigo celeste e se sentisse maravilhado.

*    *    *

E nós? Já servimos de ponte em algum momento?

Já servimos de conciliador em alguma discussão ou querela entre duas pessoas?

Já ajudamos alguém a atravessar os rios da ignorância e o conduzimos às margens seguras do conhecimento?

Já servimos de ponte entre o desespero e o consolo?

Já estendemos nossas mãos amparando alguém na travessia de momentos de tormento?

Já fomos ponte entre as coisas da Terra e o Criador, ensinando alguém a orar com fé, com o coração?

Já fomos ponte entre os olhos baixos e um sorriso sincero?

Quantas vezes podemos ser pontes e deixamos passar a oportunidade...

Ser esse elo de ligação entre duas situações opostas, entre duas realidades, entre dois lugares ou estados d´alma, é missão importantíssima.

Inspiremo-nos na ideia dessa construção fascinante e sua função nobre, servindo sem esperar aplauso ou temer reproche - a ponte silenciosa.

Sejamos ponte e estendamo-nos com alegria para todos os que estejam ao nosso redor.

Que bela ponte foi o querido Chico Xavier, unindo dois mundos através de sua mediunidade bendita.

Quantos corações consolados... Quantas mentes esclarecidas com a realidade do mundo espiritual, que coexiste com o nosso, desde sempre.

Serviu sorrindo e amando cada ser que atravessava por ela.


*    *    *

Ponte silenciosa,


no esforço fiel e ativo,

é um apelo à lei de amor,

sempre novo, sempre vivo.


Vendo-a nobre e generosa,

servindo sem altivez,

convém saber se já fomos

como a ponte alguma vez.



Redação do Momento Espírita com base no cap. 36, do livro Lindos casos de Chico Xavier, de Ramiro Gama, ed. Lake.
Em 01.10.2012.



Gif de flor
Um feliz e abençoado dia!

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Myrna.