sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

"A tempestade espanta. Entretanto, acentuar-nos-á a resistência se soubermos recebê-la. A dor dilacera. Mas aperfeiçoar-nos-á o coração, se buscarmos aproveitá-la. A incompreensão dói. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender. A luta perturba. Todavia, será portadora de incalculáveis benefícios, se lhe aceitarmos o concurso. O desespero destrói. Diante dele, porém, encontramos ensejo de cultivar a serenidade. O ódio enegrece. No entanto, descortina bendito horizonte à revelação do amor. A aflição esmaga. Abre-nos, todavia, as portas da ação consoladora. O choque assombra. Nele, contudo, encontraremos abençoada renovação. A prova tortura. Sem ela, entretanto, é impossível a aprendizagem. O obstáculo aborrece. Temos nele, porém, legítimo produtor de elevação e capacidade." (André Luiz)

Contra a corrente

 
Lá vai o homem descendo o rio caudaloso.
 
Nenhum esforço faz para seguir à frente.
 
As águas o levam no influxo impetuoso, poupando-o das pedras e outros obstáculos.
 
Com facilidade, ele avança sempre, impelido rapidamente pelo bojo da massa líquida.
 
Força, situação e movimento a seu favor.
 
Nada lhe é contrário.
 
No entanto, outro homem vai subindo o rio.
 
Em luta constante, movimenta os braços.
 
Bate os pés.
 
Respira fundo.
 
Desgasta-se agoniado.
 
Esforça-se para não afundar.
 
Fadiga-se para sobreviver.
 
E avança contra o impulso das águas e os obstáculos.
 
Com dificuldade, ele nada, nada sempre, varando, pouco a pouco, a torrente poderosa.
 
Tudo lhe é contrário.
 
*    *    *
Esta é a vida do homem na Terra.

Descer a favor da corrente do mundo é sempre fácil. É só deixar-se levar.
 
Acumpliciando-se sistematicamente com as ações da maioria.
 
Jamais se dispondo contra o erro, o equívoco.

Só dizendo sim para tudo e para todos. Seguindo despreocupadamente, sem o exame dos próprios atos.
 
Boiando sempre, em menor esforço.
 
Mas, subir contra a corrente do mundo, é mais difícil.
 
É preciso valor para enfrentar a adversidade.
 
É necessário paciência para fugir aos erros de tradição.
 
É indispensável ser forte para tornar-se exceção no esforço maior.
 
*    *    *
 
Pense nisso!
 
Antes da reencarnação, necessária ao progresso, a alma roga a porta estreita das dificuldades, como oportunidade gloriosa nos círculos carnais.
 
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina.
 
Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
 
E, graças à misericórdia Divina, obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.
 
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as portas largas por onde transitam as multidões.
 
Fugindo das dificuldades, empenha-se no menor esforço.
 
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal.
 
Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.
 
Lembremo-nos de que, como cristãos, em muitas ocasiões devemos estar contra a corrente dos preconceitos e prejuízos das convenções.
 
E que, conforme ensinou o Cristo, devemos nos esforçar por entrar pela porta estreita, a porta que dará acesso à felicidade almejada por todos nós.
 
O caminho normal é viver com todos. No entanto, vez por outra é imperioso nadar em sentido contrário...
 
Pensemos nisso!

 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 39 do livro Bem-aventurados os simples, pelo Espírito Valerium, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb e no cap. 20 do livro Vinha de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 06.06.2008.

 

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Um feliz e abençoado dia!

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Com estima e apreço,
Myrna.