segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

"A paciência não é um vitral gracioso para as suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos. A serenidade não é jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho. A calma não é harmonioso violino para as suas conversações agradáveis. É valor substancial para os seus entendimentos difíceis. A tolerância não é saboroso vinho para os seus minutos de camaradagem. É porta valiosa para que você demonstre boa-vontade, ante os companheiros menos evolvidos. A boa cooperação não é processo fácil de receber concurso alheio. É o meio de você ajudar ao companheiro que necessita. A confiança não é um néctar para as suas noites de prata. É refugio certo para as ocasiões de tormenta. O otimismo não constitui poltrona preguiçosa para os seus crepúsculos de anil. É manancial de forças para os seus dias de luta. A resistência não é adorno verbalista. É sustento de sua fé. A esperança não é genuflexório de simples contemplação. É energia para as realizações elevadas que competem ao seu espírito. Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno." (André Luiz)



Contra a corrente
 


Lá vai o homem descendo o rio caudaloso.

Nenhum esforço faz para seguir à frente.

As águas o levam no influxo impetuoso, poupando-o das pedras e outros obstáculos.

Com facilidade, ele avança sempre, impelido rapidamente pelo bojo da massa líquida.

Força, situação e movimento a seu favor.

Nada lhe é contrário.

No entanto, outro homem vai subindo o rio.

Em luta constante, movimenta os braços.

Bate os pés.

Respira fundo.

Desgasta-se agoniado.

Esforça-se para não afundar.

Fadiga-se para sobreviver.

E avança contra o impulso das águas e os obstáculos.

Com dificuldade, ele nada, nada sempre, varando, pouco a pouco, a torrente poderosa.

Tudo lhe é contrário.
* * *

Esta é a vida do homem na Terra.

Descer a favor da corrente do mundo é sempre fácil. É só deixar-se levar.

Acumpliciando-se sistematicamente com as ações da maioria.

Jamais se dispondo contra o erro, o equívoco.

Só dizendo sim para tudo e para todos. Seguindo despreocupadamente, sem o exame dos próprios atos.

Boiando sempre, em menor esforço.

Mas, subir contra a corrente do mundo, é mais difícil.

É preciso valor para enfrentar a adversidade.

É necessário paciência para fugir aos erros de tradição.

É indispensável ser forte para tornar-se exceção no esforço maior.

 
* * *

Pense nisso!

Antes da reencarnação, necessária ao progresso, a alma roga a porta estreita das dificuldades, como oportunidade gloriosa nos círculos carnais.

Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina.

Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.

E, graças à misericórdia Divina, obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.

Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as portas largas por onde transitam as multidões.

Fugindo das dificuldades, empenha-se no menor esforço.

Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal.

Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.

Lembremo-nos de que, como cristãos, em muitas ocasiões devemos estar contra a corrente dos preconceitos e prejuízos das convenções.

E que, conforme ensinou o Cristo, devemos nos esforçar por entrar pela porta estreita, a porta que dará acesso à felicidade almejada por todos nós.

O caminho normal é viver com todos. No entanto, vez por outra é imperioso nadar em sentido contrário...

Pensemos nisso!
 


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 39 do livro Bem-aventurados os simples, pelo Espírito Valerium, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb e no cap. 20 do livro Vinha de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 06.06.2008.
 
 


 


 

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Myrna.