quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"Desgosto - qualquer contratempo aborrece. No entanto, sem desgosto, a conquista de experiência é impraticável. Obstáculo - todo empeço atrapalha. Sem obstáculo, porém, nenhum de nós consegue efetuar a superação das próprias deficiências. Decepção - qualquer desilusão incomoda. Todavia, sem decepção, não chegamos a discernir o certo do errado. Enfermidade - toda doença embaraça. Sem a enfermidade, entretanto, é muito difícil consolidar a preservação consciente da própria saúde. Tentação - qualquer desafio conturba. Mas, sem tentação, nunca se mede a própria resistência. Prejuízo - todo o golpe fere. Sem prejuízo, porém, é quase impossível construir segurança nas relações uns com os outros. Ingratidão - qualquer insulto à confiança estraga a vida espiritual. No entanto, sem o concurso da ingratidão que nos visite, não saberemos formular equações verdadeiras nas contas de nosso tesouro afetivo. Desencarnação - toda morte traz dor. Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa, largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas. Compreendamos, à face disso, que não podemos louvar as dificuldades que nos rodeiam, mas é imperioso reconhecer que, sem elas, eternizaríamos paixões, enganos, desequilíbrios e desacertos, motivo pelo qual será justo interpretá-las por chaves libertadoras, que funcionam em nosso espírito, a fim de que nosso espírito se mude para o que deve ser, mudando em si e fora de si tudo aquilo que lhe compete mudar." (Emmanuel)

 
 
 
Da indiferença à compaixão

 

A vida moderna se desenrola em um ritmo vertiginoso.

A todo instante, surgem novidades nos mais diversos setores do conhecimento humano.

As pessoas colecionam centenas de amigos virtuais, que podem ser contatados sem sair de casa.

Por força dessas inovações, as notícias correm o mundo em questão de segundos.

As novidades mórbidas é que costumam empolgar as massas.

De outro lado, impera a sensação da necessidade de ser rápido e aproveitar muito, para não perder algo importante.

Ocorre que esse regime de urgência e negatividade tende a gerar relacionamentos superficiais.

Quem tem centenas de amigos virtuais não costuma conviver com eles, não percebe suas reais necessidades.

Tem a sensação de ser bem relacionado, quando é um solitário.

Outro subproduto da vida moderna é a tendência à indiferença.

O corre-corre dificulta que se preste atenção no semelhante.

As notícias ruins inspiram o sentimento de ser necessário precaver-se contra a exploração e o abuso.

Para não sofrer, a criatura opta por anestesiar seu sentir.

Se há muitos políticos corruptos, ela deixa de prestar atenção nas ocorrências da vida pública do país.

Como há bastante violência, procura nem notar o que ocorre a sua volta.

Por ser evidente a má fé de alguns, afasta-se de muitos.

Contudo, esse distanciamento do semelhante é artificial e deletério.

O ser humano é gregário por natureza e precisa conviver para se sentir pleno.

Sempre há o risco de se ferir e se decepcionar, sem que isso constitua razão para abdicar da essência da vida.

Convém ser cauteloso, mas tal não pode significar renúncia ao contato social.

Uma boa técnica para conviver de forma saudável em um mundo imperfeito consiste na compaixão.

Ela é um dos sentimentos humanos mais nobres e se expressa como solidariedade.

Implica participar do sofrimento do próximo, de forma dinâmica.

Não se trata apenas de lamentar a dor alheia, de sofrer junto e nem de considerá-lo um infeliz.

Ser compassivo pressupõe tomar-se do ardente desejo de auxiliar o semelhante a livrar-se do sofrimento.

Justamente por seu vigor, a compaixão inspira a adoção de medidas para melhorar o mundo em que se vive.

O compassivo não quer e nem consegue ser feliz sozinho.

Ele não é um pessimista que acha que o mundo está perdido e nada resta para fazer.

Acredita no bem e ama o progresso e por isso age com firmeza.

Não violenta consciências, mas faz o que pode para que a Humanidade se renove.

A compaixão é um sinal de sabedoria de quem compreende a fragilidade da imensa maioria dos homens.

Entretanto, à semelhança do Cristo, não os despreza, mas os auxilia e instrui.

Pense nisso.
 


Redação do Momento Espírita.
Em 08.12.2009
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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