quarta-feira, 6 de novembro de 2013

"A procura da felicidade assemelha-se, no fundo, a uma caçada difícil. Taxando-se por dom facilmente apresável, há quem a procure entre os mitos do ouro, enferrujando as mais belas faculdades da alma, na fossa da usura; quem a dispute no prazer dos sentidos, acordando no catre da enfermidade; quem lhe suponha a presença na exaltação do poder terrestre, acolhendo-se à dor de extrema desilusão, e quem a busque na retenção do supérfluo, apodrecendo de tédio, em câmaras de preguiça. Observa, pois, o dever de que a vida te incumbe. Vê-lo-ás, hora a hora, no quadro da circunstâncias. Na fé que te pede serviço. No serviço que te roga compreensão. No ideal que te pede caráter. No caráter que te roga firmeza. No exemplo que te pede disciplina. Na disciplina que roga humildade. No lar que te pede renúncia. Na renúncia que te roga perseverança. No caminho que te pede cooperação. Na cooperação que te roga discernimento. Por mais agressivos se façam os empeços da marcha, não te desvie da obrigação que te recomenda o bem de todos, sempre que puderes e quanto puderes seja onde for. Porque te mostre leal a ti mesmo é possível que a maioria te categorize a conta de ingrato e rebelde, fanático e louco. A maioria, no entanto, nem sempre abraça o direito. Não podemos esquecer que, no instante supremo da humanidade, ela, a maioria, estava com Barrabás e contra o Cristo. Cumpre, assim, teu dever, e, tomando da terra somente o necessário à própria manutenção, de modo a que te não apropries da felicidade dos outros, estarás atingindo a verdadeira felicidade, que fulge sempre, como benção de Deus, na consciência tranqüila." (Emmanuel)


 
 
Os jardins


É comum se associar a lembrança de uma pessoa a algo que a caracterize.

Digamos, seja seu toque pessoal.

Dia desses, ao passarmos por um jardim cheio de cores vivas, fomos surpreendidos por uma frase partida dos lábios de uma senhora: Um jardim tão bem cuidado me recorda minha avó.

A amiga que a acompanhava logo indagou do porquê.

A continuidade do diálogo, cujas frases nos chegavam com clareza, trazidas pela brisa mansa nos surpreendeu.

Minha avó, dizia, passou sua vida a plantar flores. Recordo-me da infância e do bangalô de minha avó. Quase não havia terra para plantar. A construção era nova e o local mais parecia um campo de batalha que as minas tivessem revolvido e deixado em total desalinho.

Pois minha avó não desanimou. Com pedras desenhou retângulos no solo, afofou a terra, preparou-a e plantou suas amadas roseiras. Jardins eram a sua marca registrada.

A senhora alongou o olhar na distância, como a revolver a saudade na terra do coração e prosseguiu:

Era uma pessoa excepcional minha avó.

Já mais idosa, os filhos optaram por colocá-la em um apartamento.

Mais segurança, diziam, menos trabalho. Afinal, eles temiam o peso dos anos naqueles ombros já não tão fortes.

Quando vi o apartamento, entristeci. Tinha uma varanda sim, mas nem sombra de terra, onde ela pudesse utilizar da sua mágica pessoal para transformar em um pedacinho de céu perfumado.

Pensei que ela iria murchar.

Imaginei-a a fenecer, como flores ao sopro do inverno rigoroso ou sob o sol escaldante do verão. Qual não foi minha surpresa ao visitá-la, alguns meses depois.

Levei-lhe um ramalhete de rosas multicoloridas, contando alegrar-lhe o lar.

Ela abraçou as rosas, agradeceu e seu rosto se iluminou como em êxtase.

São lindas, querida. E perfumadas.

Depositou-as com cuidado sobre uma mesa, tomou-me pela mão e levou-me até à varanda.

Naquele minúsculo espaço, a terra gentil permitia brotar rosas de delicado perfume e graça. As mãos mágicas de minha avó haviam transformado um retângulo de cimento frio em uma nesga de paraíso florido.

Suas mãos acariciaram as flores qual se o fizessem a um filho querido.

Depois, ela me reconduziu à sala, e mostrou um troféu. As flores de sua varanda haviam sido eleitas as segundas mais belas de toda a cidade.

Transformar a terra inculta em um oásis de beleza ou deixá-la entregue às ervas daninhas e espinheiros é opção pessoal.

Assim nos jardins das nossas vidas.

Podemos ser indiferentes e ociosos, relegando tudo ao descaso, nada realizando de bom, de belo, de útil. Ou podemos optar por semear flores de alegria, rosas de ventura.

Quiçá apenas umas tímidas violetas de discreto perfume.

Contudo, não sejamos dos que erguem espinheiros. Tornemo-nos jardineiros cuidadosos a fim de que, pelas veredas por onde transitarmos, deixemos o perfume e a beleza das nossas ações.

* * *

Semeando estrelas, seremos convidados a espancar trevas.

Semeando esperanças, haveremos de nos tornar luzeiros para corações entristecidos.

Onde quer que estejamos, sempre poderemos semear as luzes do amor e da esperança.
 


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na história "Os Jardins de Nossas Vidas", da revista Seleções do Reader’s Digest, 06/1998.
 
 
 

 
 
 

 
 

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Myrna.