quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Certo rei muito poderoso, sendo obrigado a longa ausência, tomou de grande fortuna e entregou-a ao filho, confiando-lhe a incumbência de levantar grande casa, tão bela quanto possível. Para isso, o tesouro que lhe deixava nas mãos era suficiente. Acontece, porém, que o jovem, muito egoísta, arquitetou o plano de enganar o próprio pai, de modo a gozar todos os prazeres imediatos da vida. E passou a comprar materiais inferiores. Onde lhe cabia empregar metais raros, utilizava latão; nos lugares em que devia colocar o mármore precioso, punha madeira barata, e nos setores de serviço, em que a obra reclamava pedra sólida, aplicava terra batida... Com isso, obteve largas somas que consumiu, desorientado, junto de amigos loucos. Quando o monarca voltou, surpreendeu o príncipe abatido e cansado, a apresentar-lhe uma cabana esburacada, ao invés de uma casa nobre. O rei, no entanto, deu-lhe a chave do pequeno casebre e disse-lhe, bondoso: - A casa que mandei edificar é para você mesmo, meu filho ... Após ligeira pausa, zeloso advertiu: Não me parece a residência sonhada por seu pai, mas devo estar satisfeito com a que você próprio escolheu. O conto impele-nos a judiciosas apreciações, quanto ao cumprimento exato de nossos deveres. Comparemos o soberano a Deus, nosso Pai. O príncipe da história poderia ter sido qualquer um de nós. A fortuna para construirmos a moradia de nossa alma é a vida que Deus nos empresta. Quase sempre, contudo, gastamos o tesouro da existência em caprichosa ilusão, para acabarmos relegados, por nossa própria culpa, aos pardieiros apodrecidos do sofrimento. Mas, aqueles que se consagram à bênção do dever, por mais áspero que seja, adquirem a tranqüilidade e a alegria que o Supremo Senhor lhes reserva, por executarem, fiéis, a sua divina vontade, que planeja sempre o melhor a nosso favor." (Meimei)

 
 
 
 
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Consciência do dever
 

Como temos cumprido os nossos deveres? Na família, na escola, na profissão, como temos nos portado?

Somos dos que primamos pela qualidade do que fazemos, sempre preocupados em realizar o melhor ou somos dos que não nos importamos muito com o resultado, desde que a tarefa seja concluída?

Embora vivamos em uma sociedade que exige qualidade, especificações técnicas, aprimoramento profissional, observamos que, de um modo geral, cada qual busca fazer o estritamente necessário e exigível.

E, contudo, deveria ser tão diferente. Deveríamos nos preocupar em tudo realizar da forma mais primorosa, quase perfeita.

Deveríamos ser criaturas sempre insatisfeitas com os resultados dos nossos trabalhos, no sentido de, embora reconhecê-los bons, saber que sempre existe a possibilidade de se melhorar um tanto mais.

Se todos assim pensássemos, não haveria necessidade de possuirmos órgãos controladores, disciplinadores, fiscalizadores e reguladores de qualidade.

Não haveria peças defeituosas, mal elaboradas, tarefas mal executadas.

A preocupação constante e de todos seria realizar o melhor.

Recordamos de que há muito tempo, na Grécia Antiga, um escultor já velho estava lapidando um bloco de pedra.

Com cuidado, examinava a rocha com o cinzel, lascava um fragmento por vez, avaliando as medidas com suas mãos vigorosas antes de dar mais um golpe.

Quando estivesse pronta, a peça serviria de capitel, aquela parte superior das colunas. Ela seria içada e colocada sobre o topo de um comprido pilar. A coluna comporia o suporte do teto de um templo majestoso.

Um funcionário do Governo, que passava, em vendo o esforço do escultor se aproximou e lhe perguntou:

Para que gastar tanto tempo e esforço nessa parte? Essa peça vai ficar a quinze metros do chão. Nenhum olho humano será capaz de ver esses detalhes.

O velho artista descansou o martelo e o cinzel. Enxugou o suor da testa, fixou seu interlocutor e respondeu:

Mas Deus verá!

A frase resume a consciência da criatura que sabe que, embora possa enganar os homens, não enganará a Divindade. Retrata igualmente a consciência do dever, que é um dos belos ornamentos da razão.
 
* * *

Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de se cumprir por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração.

O dever do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio.

E o homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, mas porque confere à alma suficiente vigor para o seu desenvolvimento.



Redação do Momento Espírita com base no item 7 do cap. XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb e de texto intitulado Deus verá, de autoria desconhecida.
 
 
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Myrna.