domingo, 18 de agosto de 2013

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz...” (Apocalipse, capítulo 3º, versículo 22) ...."Inúmeras criaturas que se aproximam dos operários leais do Senhor não passam de desequilibrados faladores. É essencial prudência e vigilância, para que não transformemos a mente em vaso de entulhos e ruínas. Nas organizações espíritas convivemos, no curso de suas atividades diárias, com companheiros que nos trazem as mais diversificadas mensagens pessoais, obrigando-nos a refletir a respeito das solicitações que nos alcançam. Necessário é saber guiar-nos com o coração amparado pelos Planos Maiores, ligados na realidade dos fatos, e não nos influenciar pelas fantasias e queixas enfermiças. Ouvir com habilidade é perceber a atmosfera fluídica que envolve os outros. Usemos todos os sentidos aliados à intuição. Prestemos atenção às palavras, ao volume e ao tom de voz da pessoa atendida. É preciso ir além da verbalização para compreender o conteúdo e a intenção do interlocutor. As vezes, o sentimento é muito mais explícito, e, por isso mesmo, muito mais enfático do que as próprias palavras. A capacidade mais importante na comunicação é saber ouvir. É interessante notar que aprendemos a escrever, falar e ler, mas quase nunca nos ensinaram a ouvir corretamente as verdadeiras intenções que envolvem as palavras. Quando utilizamos somente a estrutura da audição, desprezando as forças sutis da alma, nunca chegamos às profundezas da percepção do espírito. Escutar é simplesmente manter um diálogo convencional, passageiro e corriqueiro; ouvir, porém, é embrenhar-se na troca de alma para alma, em que a essência realmente age com sintonia e inspiração. Não podemos nos esquecer de que nosso objetivo é ouvir para que, obtendo uma noção clara do que a pessoa está dividindo conosco, possamos aconselhá-la o mais corretamente possível. É fundamental que o orientador procure entender o que está sendo transmitido, evitando argumentar, recriminar, inquirir ou dar respostas apressadas e irrefletidas. Quem orienta deve aprender a captar tanto visual como auditivamente, controlando suas emoções e a tendência de responder antes que a criatura termine sua exposição. Para podermos induzir uma comunicação aberta entre companheiros que nos procuram, comecemos antes de tudo, por nós mesmos. Sejamos francos e acessíveis nos contatos pessoais. Se o dirigente se fechar ou mostrar-se reservado, certamente encontrará a mesma dificuldade no comportamento do outro. A prece, aliada à inspiração dos bons espíritos, dará o significado e a verdadeira intenção do intercâmbio verbal. Em nossas atividades evangélicas, o êxito do atendimento depende da atenção ao que foi dito ou feito, bem como da forma como agimos e auxiliamos diante do problema relatado. O apóstolo João recomenda a necessidade de ouvir o que o Espírito diz. Entendia que somente dessa forma é que se pode utilizar com sabedoria do silêncio ou da palavra, diferenciar com segurança a sombra da luz e separar com sensatez o joio do trigo. A Luz do Mundo ouvia espiritualmente as situações; portanto, auxiliava sem ofender, esclarecia sem ferir, ensinava sem perturbar. O Cristo Jesus instruía falando e exemplificando, os homens que exclusivamente o escutavam não absorveram suas lições imorredouras; porém, todos aqueles que o ouviram em espírito e verdade impressionaram suas almas para a eternidade e se converteram em plenitude." (Batuíra)




O naufrágio de muitos internautas

 

Alice estava desnorteada, e encontrando um gato sentado sobre o galho de uma árvore, perguntou-lhe:

O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho tomar para sair daqui?

Isso depende muito de onde você quer ir... - respondeu o gato com um sorriso enigmático de orelha a orelha.

Não me importa muito para onde... - afirmou Alice.

O felino sentenciou: - Então não importa o caminho que você escolher. Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

Nestes tempos de informações abundantes, de possibilidades infinitas, de tecnologia surpreendente, fazem-se necessários alguns cuidados.

Cada dia fala-se mais e mais, sobre a triunfal entrada da Humanidade na era do conhecimento.

Exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a primeira riqueza.

Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas é a internet.

É neste ponto que precisamos ir devagar com as coisas.

Não se deve confundir informação com conhecimento.

A internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação.

No entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento - ao contrário da informação - não é cumulativo, mas seletivo.

Seria como alguém que entra numa dessas grandes livrarias, sem saber muito bem o que deseja.

Corre o risco de entrar em pânico, tendo a sensação de débito intelectual, sem ter clareza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo.

Faz-se fundamental o critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha.

Os computadores e a internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido.

Ferramenta não tem objetivo em si mesmo. É instrumento para outra coisa, para outro fim.

O critério, o equilíbrio nos permitirão, assim, poder utilizar desse ferramental com sabedoria, na dosagem certa, no momento adequado.

Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo.

Esquecem-se de se perguntar: Eu quero isso para mim? Eu preciso disso? Para que serve? Aonde desejo ir?

Nos tempos de hoje, se não formos muito cuidadosos, corremos o risco de navegar na internet, e naufragar.

Sêneca, sabiamente, já havia dito, que nenhum vento é a favor, para quem não sabe para onde ir.
* * *

David Hume, afirmava: "Por conhecimento, entendo a certeza que nasce da comparação de idéias".

Para que nasça o conhecimento é necessário pensar, comparar, conectar idéias.

Nenhuma informação poderá ser tomada por verdade, por conhecimento, antes de amadurecer dentro da alma humana.

Sabedoria não se transmite. É preciso que nós mesmos a descubramos depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar.




Redação do Momento Espírita com base no texto O naufrágio de muitos internautas, do livro Não nascemos prontos - provocações filosóficas, de Mario Sergio Cortella, ed Vozes.











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Myrna.