quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"O ensinamento do Mestre, sob o véu da letra, consubstancia profunda advertência. Indispensável cuidar do coração, como fonte emissora do verbo, para que não percamos a harmonia necessária à própria felicidade. O que sai do coração e da mente, pela boca, é força viva e palpitante, envolvendo a criatura para o bem ou para o mal, conforme a natureza da emissão. Do íntimo dos tiranos, por esse processo, origina-se o movimento inicial da guerra, movimento destruidor que torna à fonte em que nasceu, lançando ruína e aniquilamento. Da alma dos caluniadores, partem os venenos que atormentam espíritos generosos, mas que voltam a eles mesmos, escurecendo-lhes os horizontes mentais. Do coração dos maus, dos perversos e dos inconscientes, surgem, através do poder verbalista, os primórdios das quedas, dos crimes e das injustiças; todavia, tais elementos perturbadores não se articulam debalde para os próprios autores, porque dia chegará em que colherão os frutos amargos da atividade infeliz a que deram impulso. Assim também, a alegria semeada, por intermédio das palavras salutares e construtivas, cresce e dá os seus resultados. O auxílio fraterno espalha benefícios infinitos, e o perfume do bem, ainda quando derramado sobre os ingratos, volta em ondas invisíveis a reconfortar a fronte que o emite. O ato de bondade é invariável força benéfica, em derredor de quem o mobiliza. Há imponderáveis energias edificantes, em torno daqueles que mantêm viva a chama dos bons pensamentos a iluminar o caminho alheio, por intermédio da conversação estimulante e sadia. Os elementos psíquicos que exteriorizamos pela boca são potências atuantes em nosso nome, fatores ativos que agem sob nossa responsabilidade, em plano próximo ou remoto, de acordo com as nossas intenções mais secretas. É imprescindível vigiar a boca, porque o verbo cria, insinua, inclina, modifica, renova ou destrói, por dilatação viva de nossa personalidade. Em todos os dias e acontecimentos da vida, recordemos com o Divino Mestre de que a palavra procede do coração e, por isso mesmo, contamina o homem." (Emmanuel)


 
A visita da verdade


 
Numa caverna escura, onde a claridade nunca surgira, vivia um homem muito simples que implorava o socorro Divino.
 
Declarava-se o mais infeliz dos homens, não obstante, em sua cegueira moral, sentia-se o melhor de todos.
 
Reclamava do ambiente fétido em que se encontrava.
 
O ar pestilento o sufocava.
 
Pedia a Deus uma porta libertadora que o conduzisse ao convívio do dia claro.
 
Afirmava-se robusto, apto, capaz.
 
Por que motivo era conservado ali, naquele insulamento doloroso, em atmosfera tão insuportável?
 
Suas súplicas, entre a revolta e a amargura, foram percebidas por Deus que, profundamente compadecido, enviou-lhe a Fé.
 
A sublime virtude exortou-o a confiar no futuro e a persistir na oração.
 
O infeliz consolou-se mas, logo em seguida, voltou a lamuriar-se.
 
Queria fugir, desistir, abandonar a vida, e como suas lágrimas aumentavam, Deus mandou-lhe a Esperança.
 
A emissária divina afagou-lhe a fronte e falou-lhe da eternidade da vida, buscando secar-lhe o pranto desesperado.
 
Rogou-lhe calma, resignação e fortaleza.
 
O pobre homem pareceu melhorar, mas, decorrido algum tempo, voltou à lamentação.
 
Comovido, o Senhor da Vida determinou que a Caridade o procurasse.
 
A nova mensageira acariciou-o e alimentou-o.
 
Endereçou-lhe palavras de carinho e amparou-o, como se fosse abnegada mãe.
 
Todavia, o infeliz persistia gritando, revoltado.
 
Foi então que Deus enviou-lhe a Verdade.
 
Quando a portadora do esclarecimento se fez sentir na forma de uma grande luz, o infortunado, pela primeira vez na vida, viu-se tal qual era e apavorou-se.
 
Seu corpo estava coberto de chagas, da cabeça aos pés.
 
Agora, somente agora, ele percebia, espantado, que ele mesmo era o responsável pela atmosfera intolerável em que vivia.
 
Tremeu cambaleante e horrorizou-se de si mesmo.
 
Sem coragem de encarar a sublime visitante que lhe abria a porta da libertação, fugiu apavorado, em busca de outra furna onde conseguisse esconder a própria miséria que só então reconhecia.
 
Assim ocorre com a maioria dos homens perante a realidade.
 
Sentem-se com direito a receber todas as bênçãos do Pai Eterno e gritam fortemente, implorando a ajuda celestial.
 
Enquanto amparados pela Fé, pela Esperança ou pela Caridade, consolam-se e desesperam-se, crêem e descrêem, tímidos, irritadiços e hesitantes.
 
Quando a Verdade, porém, brilha diante deles, revelando-lhes a real condição em que se encontram, costumam fugir apressados, em busca de esconderijos, nos quais possam cultivar a ilusão.
 
* * *
 
Em uma ocasião Jesus disse que somente a Verdade fará livre o homem.
 
Acostumemo-nos, pois, à sublime luz da Verdade, reconhecendo em nós mesmos as causas de nossas desditas e busquemos, corajosamente, meios de alcançar, de modo definitivo, nossa libertação.

 
 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 25 do livro Jesus no lar, pelo Espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

 

 

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