segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados. Quero aqui falar apenas do dever moral e não do dever que as profissões impõem. Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós. Deus criou todos os homens iguais para a dor. Pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelas mesmas causas, a fim de que cada um julgue em sã consciência o mal que pode fazer. Com relação ao bem, infinitamente vário nas suas expressões, não é o mesmo o critério. A igualdade em face da dor é uma sublime providência de Deus, que quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos. O dever é o resumo prático de todas as especulações morais; é uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta; é austero e brando; pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, conserva-se inflexível diante das suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. É a um tempo juiz e escravo em causa própria. O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho. O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a Humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento. O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da Humanidade. Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da sua obra resplandeça a seus próprios olhos. - Lázaro. (Paris, 1863.)" (Allan Kardec)




Dever

 
 
Freqüentemente o dever entra em conflito com o interesse pessoal.
 
A criatura deseja ardentemente fazer algo, mas sente que não deve.
 
Ou quer fugir de uma situação, abster-se de determinada conduta, quando a consciência indica não ser essa a melhor solução.
 
Surge a dúvida: Por que não é possível a satisfação do desejo?
 
Qual a razão para o senso do dever contrariar os sonhos e as fantasias?
 
Há alguma lógica nisso?
 
Há uma lógica, que decorre de uma compreensão mais ampla da vida.
 
Os espíritos reencarnam infinitas vezes.
 
A evolução é uma conquista individual, por meio da qual se transita da ignorância para a sabedoria.
 
Em suas primeiras experiências terrenas, os espíritos são grandemente guiados pelos instintos.
 
De modo gradual, desenvolvem a vontade e conquistam a liberdade de optar.
 
Em decorrência de sua ignorância, as opções que fazem nem sempre são felizes.
 
Todos trazem as leis divinas gravadas na consciência.
 
Com o tempo, inteiram-se do teor dessas leis.
 
Equívocos, maldades, leviandades, tudo é registrado na consciência.
 
Somente goza de perfeita harmonia quem aprendeu a respeitar e valorizar a vida.
 
A paz interior é conquista daquele que se acertou com os estatutos divinos.
 
Isso apenas é possível mediante a recomposição dos tesouros dilapidados ao longo do tempo.
 
Onde se insuflou a guerra, impõe-se a labuta pela paz.
 
Quem induziu os outros ao abismo dos vícios, deve auxiliá-los na recuperação.
 
Se outrora as bênçãos do trabalho foram repudiadas, o tempo perdido deve ser recuperado.
 
Por outro lado, alguns hábitos da época da ignorância cristalizam-se no ser, dificultando a evolução.
 
Embora o processo de evoluir seja vagaroso, é necessário fazer esforços para transformar os hábitos viciosos e conquistar virtudes.
 
Também se impõe o amadurecimento do senso moral.
 
A lucidez espiritual traduz-se por uma conduta pautada no trabalho, no estudo, na lealdade e na compaixão.
 
Essa transição da infância para a maturidade espiritual não se faz sem esforço.
 
É preciso romper com o homem velho e seus hábitos infelizes.
 
Esse é o propósito da existência terrena.
 
Antes de renascer, o espírito faz um balanço de suas vivências.
 
Ele identifica os vícios que necessita vencer, os erros que precisa reparar, e projeta sua nova vida.
 
Todo homem traz em seu íntimo o resultado das experiências vividas.
 
Falta a lembrança do que ocorreu, mas há intuições e tendências.
 
Eis a razão da contradição entre o dever e as fantasias, pois a consciência cobra o dever.
 
De um lado há o passado: paixões, interesse, egoísmo, preguiça e vaidade.
 
De outro, os projetos para o futuro, na forma de disciplina, renúncia, devotamento ao próximo ou a uma causa.
 
Cada qual é livre para escolher seu caminho, mas o trabalho não feito hoje ressurgirá mais tarde, provavelmente acrescido de novos encargos.
 
A paz e a plenitude pressupõem o dever cumprido, a tarefa feita, a lição aprendida.
 
Pense nisso!


 
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.
 
 
 
 

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Com estima e apreço,
Myrna.