segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Não te afastes da paciência quando as dificuldades se agravem. Ainda que provações inesperadas te espanquem o coração, conserva a serenidade e segue adiante, agindo e servindo. Pensa nos que perderam a fé e tropeçaram na violência; medita nos que tombaram em desespero e resvalaram na loucura. O verbo que te vergasta pode ser a enfermidade em forma de insulto e a mão que te golpeia estará provavelmente sob o impulso das trevas. Coragem não é revidar, nem cair na exibição de poder. A coragem verdadeira ergue-se da compreensão e da bênção, quando o desequilíbrio tente assaltar-te. Em qualquer circunstância, escora-te no esforço de resguardar o bem. Quando estiveres a ponto de pronunciar qualquer frase irrefletida ou de empreender a mínima ação contra os outros, ora e silencia, porque o Céu te ouve e Deus te sustentará." (Meimei)



Um siri vai lhe trazer alegria

 
 
Sempre que o mundo desabava sobre minha cabeça, eu ia andar pela praia, próximo de onde morava.
Um dia encontrei uma bela garotinha de olhos tão azuis quanto o mar, construindo um castelo de areia ou algo parecido.
Oi, disse ela.
Eu respondi com um aceno de cabeça, não estava com humor para me aborrecer com uma criança.
Você quer me ajudar a construir meu castelo?
Hoje não. Falei pouco atencioso.
Eu gosto de sentir a areia em meus dedos do pé, ela falou sorridente.
Que boa ideia, pensei, e tirei meus sapatos. Um siri deslizou próximo.
Isto é um alegria, falou a criança.
É um o quê? Perguntei.
Isto é um alegria, livre pela praia.
Adeus alegria, olá dor, murmurei comigo mesmo e continuei a caminhar.
Eu estava deprimido, mas a menina não desistia e perguntou: Qual é o seu nome?
Eu sou Robert Peterson, respondi.
O meu é Wendy... Eu tenho seis anos.
Oi, Wendy.
Apesar de minha melancolia fui obrigado a rir e continuei caminhando.
Sua risadinha musical me seguiu.
Venha novamente, Sr. P., disse ela, animada.
Nós teremos outro dia feliz.
Meus dias foram atribulados e somente semanas depois é que voltei à praia.
A brisa era fria, mas eu andava a passos largos, tentando readquirir serenidade.
Tinha até me esquecido da criança, quando ela apareceu.
Oi, Sr. P., você quer brincar?
Não sei, que tal charadas? Perguntei sarcasticamente.
Eu não sei o que é isto, falou a menina.
Então me deixe continuar a caminhada.
Onde você mora? Perguntei-lhe.
Ali. Ela respondeu apontando na direção de uma fila de cabanas de verão.
Como você vai para a escola?
Eu não vou à escola. A mamãe disse que nós estamos de férias.
Ela tagarelou e quando eu ia voltar para casa, Wendy disse que tinha sido outro dia feliz. E havia sido mesmo.

Três semanas mais tarde, eu andava apressado pela praia, quase em pânico, quando a garota me alcançou.
Olhe, se você não se importa, hoje eu quero andar sozinho.
Ela me pareceu pálida e sem fôlego.
Por que? Ela perguntou.
Porque minha mãe morreu! Gritei.
Oh, então este é um dia ruim, falou a menina com ar de tristeza.
Sim, eu disse, e ontem e anteontem também. Vá embora!
Um mês depois disso, fui andar novamente na praia, mas ela não estava lá.
Sentindo-me culpado e admitindo para mim mesmo que sentia falta dela, subi até a cabana, e bati na porta.
Uma mulher jovem atendeu.
Olá, eu sou Robert Peterson.
Senti a falta de sua pequena menina e gostaria de saber se ela está bem.
Oh, sim, Sr. Peterson, entre, por favor.
Wendy falou muito a respeito do senhor.
Eu tinha receio que ela estivesse lhe aborrecendo.
Se ela foi um incômodo, por favor, aceite minhas desculpas.
Não, sua filha é uma criança muito amável. Onde está ela?
Wendy morreu na semana passada, Sr. Peterson. Ela tinha leucemia. Talvez não tenha lhe contado...
A notícia me deixou cego e mudo, por alguns instantes...
E a mãe continuou: Ela adorava esta praia e parecia um tanto melhor aqui. Aqui teve muito do que ela chamava de "dias felizes".
Mas nos últimos dias, ela piorou rapidamente...
Minha filha deixou algo para o senhor...
Entregou-me um envelope, com Sr. P. escrito em grandes letras infantis.
Dentro havia um desenho - uma praia amarela, um mar azul, e um siri marrom. Embaixo estava escrito: um siri vai lhe trazer alegria.
Lágrimas rolaram de meus olhos e um coração que quase esqueceu de amar abriu-se largamente.
Tomei a mãe de Wendy em meus braços e murmurei repetidas vezes: Eu sinto muito, sinto muito!
O pequeno e precioso desenho está agora emoldurado e pendurado em meu escritório.
Seis palavras - uma para cada ano de sua vida - me falam de harmonia, coragem, amor e desinteresse.

 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.
Em 16.02.2012.
 
 

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Com estima e apreço,
Myrna.