segunda-feira, 5 de novembro de 2012

"Não nos esqueçamos do mundo vasto de nós mesmos, onde a consciência amparada pela razão, nos adverte, serena e incorruptível, quanto às normas que nos cabe esposar, em favor de nossa segurança e alegria. Muitas vezes, recorremos ao parecer dos outros nos assuntos que nos dizem de perto à paz espiritual, com receio do parecer de nossa própria alma e, quase sempre, apelamos para a orientação de muitos encarnados e desencarnados, por nos sentirmos incapazes de escutar os avisos de nosso templo interior, em cujo altar, a Bondade Divina nos concita às obrigações que a vida nos delegou. Em muitas ocasiões, queixamo-nos dos companheiros que nos partilham a luta, cegos para com a nossa posição reprovável diante deles; declaramo-nos desditosos e perseguidos, sem perceber os calhaus de amargura que lançamos, desassisados, no caminho dos outros e arrojamo-nos a reivindicações descabidas, sem observar que nós próprios fomos os autores da desconsideração que nos arrasa ou desprestigia... Em várias circunstâncias, reclamamos o trabalho do próximo sem dar a mínima parte da quota de serviço que lhe devemos, exigimos que a tranqüilidade nos favoreça, alimentando a guerra silenciosa e tenaz contra os nossos vizinhos e bradamos contra as perturbações que nos visitam a casa, cultivando a leviandade e a calúnia, a destruição e a maledicência... Tenhamos, desta maneira, a coragem de examinar a nós mesmos, ouvindo a própria consciência que jamais nos engana quanto ao rumo que nos compete seguir. Decerto, é muito fácil julgar a conduta alheia e repetir a famosa frase: - “Se fosse comigo faria assim”. Mas, é sempre difícil atender à justiça em nós mesmos para retificar as próprias atitudes e corrigir os próprios atos. Acendamos, cada dia, por alguns instantes, a luz da prece em nosso próprio íntimo e roguemos a Jesus nos ensine a ver e a discernir para que, através da oração possamos aprender e servir sem compromissos escuros nos laços da tentação." (Emmanuel)




Homens ou feras?


 
Conta-se que dois homens andavam juntos pela estrada, quando um deles percebeu que uma vespa se debatia aflita, dentro de uma pequena poça d´água.
O homem parou, abaixou-se e com a própria mão retirou-a da água.
O inseto, assustado, aplicou-lhe uma ferroada no dedo. O homem, ao sentir a dor fez vibrar a mão e a vespa caiu novamente na água.
Contudo, ele não desistiu. Apanhou um galho seco e novamente retirou o inseto da poça, salvando-lhe a vida.
O companheiro, impressionado com a ação do amigo, perguntou:
Por que você fez isso? A vespa o picou e ainda assim você a salvou?
O homem ponderou:
Os animais têm reações próprias quando se sentem ameaçados. É o instinto. Mas nós, que somos racionais, devemos ter um comportamento distinto, caso contrário, estaríamos agindo conforme um irracional.
Quando pisamos, sem querer na pata de um animal, este naturalmente, obedecendo ao instinto, desfere um coice, uma chifrada ou uma mordida. A isso chamamos reação. O animal reage. O homem deve agir, pois é racional.
Apesar da singeleza da história podemos extrair dela grandes ensinamentos.
Às vezes, quando lemos os jornais, nos deparamos com fatos que nos deixam dúvidas quanto à racionalidade de alguns comportamentos.
Já houve notícias a respeito de um motorista que desferiu vários tiros em outro veículo que lhe cortou a frente, como vulgarmente se diz, e assassinou uma das passageiras, que estava no banco traseiro do carro.
Outra notícia informa que, por causa de uma barbeiragem de um motorista, outro motorista, que se sentiu prejudicado, saiu do carro com um martelo na mão e lhe desferiu vários golpes na cabeça.
Chegam notícias também dos campos de futebol, das agressões físicas, das pessoas que se enfrentam a chutes e pontapés.
Vemos pela televisão as pessoas se atracarem umas contra as outras diante das câmeras, quando se reúnem para votar leis ou decidir sobre o destino do país. E isso também ocorre nos países ditos de Primeiro Mundo.
Nós nos perguntamos: somos homens ou feras?
Será que realmente podemos nos dizer racionais?
Já nos encontramos no século XXI e ainda não conseguimos alijar da nossa intimidade a ferocidade. Não conseguimos fazer jus à denominação de homo sapiens, dada pelos cientistas, que quer dizer homem que pensa. Ora, pensar é raciocinar, é usar a razão.
O que é mais triste... Grande parte dessas pessoas se diz cristã.
E nós nos recordamos dos ensinamentos do Cristo de amar o próximo como a nós mesmos, de fazer ao próximo o que gostaríamos que o próximo nos fizesse.
O Mestre, que dizemos seguir, quando estava de mãos atadas, em julgamento arbitrário, foi esbofeteado por um soldado.
Embora ainda lhe restassem os pés soltos, Jesus não reagiu. Ao contrário, disse serenamente ao seu irmão equivocado: Se Eu errei aponta meu erro. Mas se não errei, por que me bates?
Mostrar a outra face é justamente mostrar o outro lado da situação, de conformidade com a ação do Cristo, se estivesse no nosso lugar.
* * *
Quando a esposa de Sócrates, o filósofo grego, soube que iriam obrigá-lo a beber cicuta, disse- lhe: Mas você é inocente!
Sócrates, no entanto, respondeu com sabedoria: E você preferiria que eu fosse culpado?
Quis com isso dizer que é preferível sofrer a cometer uma injustiça.


 
Redação do Momento Espírita.


 
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Myrna.