domingo, 18 de novembro de 2012

"Na Terra, muitas vezes, aguardamos a passagem da desencarnação para o ingresso ao paraíso, esquecendo na vinzinhança a oportunidade de construir o céu pela implantação da verdadeira fraternidade. Em muitas ocasiões, suspiramos pela presença dos anjos recusando os mais íntimos exercícios de compaixão e bondade, a benefício de outrem. Habitualmente, rogamos o amparo divino, sem ceder um milímetro de nosso conforto humano e, quase sempre, reclamamos a bênção dos instrutores espirituais cerrando a porta de nossas almas aos que nos suplicam entendimento e perdão. É imprescindível, porém, recordar que ninguém precisa morrer na carne para ressurgir na atitude. O sol renascente, cada manhã, ensina-nos, em silêncio, que a vida começa todos os dias e que em todos os dias é possível refazer o destino pela reparação voluntária de nossos próprios erros. Aprendamos a fazer luz no íntimo de nós mesmos, através do estudo nobre e a corrigir nossos males pelo serviço do bem constante. Saibamos edificar, segundo o amor claro e simples, e perceberemos, em cada instante, o nosso ensejo de cooperar em favor dos outros. Dispõe-te a semelhante mister e não encontrarás no campo em que jornadeias senão companheiros de esperança e de luta, mendigando-te o coração. Enxameiam aqui e ali, aflitos e desditosos, ainda mesmo quando se te afigurarem dominados de orgulho ou envilecidos na verdade. Não lhes agravem a dor entendendo as sombras que lhes obscurecem as horas. Foge à reprovação que aniquila, evita sarcasmo que envenena a exigência que desfigura e abstém-te da acusação que vergasta. Lembra-te de que a todos nós cabe o dever do auxílio para que sejamos auxiliados. E, reparando, incessantemente, o mal que outrem provoque, estarás restaurando o próprio caminho que, limpo e renovado, deixará passar, em teu socorro, a luz do bem eterno, de que ninguém prescinde na ascenção para Deus." (Emmanuel)




A trave e o argueiro

 
 
Buscando sempre nas palavras de Jesus ensinamentos úteis para as nossas vidas, lembramos de um caso singular.
Ao final do dia o trabalhador dialogava com a esposa, sobre diversos temas, quando enveredou pela crítica aos colegas de trabalho que, segundo ele, praticavam erros abomináveis.
Lamentava-se dizendo que não aguentava mais aquele pessoal da empresa.
A esposa que ouvia atenta, perguntou-lhe:
O que foi desta vez?
Ao ouvir estas palavras ficou preocupado, pois teve a impressão de reincidência no mau hábito de criticar.
Todavia continuou: Sabe o que é? Lá na seção existe uma cadeira vazia que serve para o usuário se sentar quando vem falar conosco.
Pois bem, quando eles se retiram, não colocam a cadeira de volta no lugar de origem, o que já é um desrespeito.
E mais: os colegas não movem uma palha para colocá-la no lugar correto. Eu é que faço isso sempre, já que a cadeira fora do lugar atrapalha o trânsito.
A esposa, que até então ouvia sem dizer uma palavra, comentou: É engraçado!
O quê? Indagou o esposo curioso.
É engraçado tudo isto que você disse.
Por quê?
Você comenta sobre os colegas que não colocam uma cadeira no lugar, desrespeitando o ambiente de trabalho, quando você faz o mesmo dentro de sua própria casa.
Como assim? Perguntou com o coração em sobressalto, pela surpreendente revelação.
Você termina de almoçar, ou jantar, levanta-se, a cadeira vai parar distante da mesa, quase no meio da sala.
Seus filhos e eu observamos seu caminhar satisfeito até o sofá, atirando o corpo saciado nele, voltando em seguida o olhar sonolento para a televisão ou o jornal.
Enquanto isso, eu recolho os talheres e, ao final, recoloco a cadeira no lugar, antes que você mesmo tropece e reclame por ela estar fora de sua posição original.
Eu faço isso? Indagou assustado.
Há oito anos, respondeu a esposa.
Esse era o tempo que viviam juntos.
* * *
Jesus, em Sua sabedoria questiona:
Por que olhas para o cisco que está no olho de teu irmão e não notas a trave no teu olho?
Assim procedemos muitos de nós. Reprovamos os defeitos dos outros e esquecemos de dar uma olhada no nosso modo de ser.
Criticamos nos outros o que costumamos fazer habitualmente, sem nos darmos conta.
Jesus, após o questionamento, recomenda:
Tira primeiro a trave do teu olho, e então verás para tirar o cisco do olho do teu irmão.
* * *
Antes de levantar a voz para criticar quem quer que seja, voltemos o olhar para nossa própria situação.
Observemo-nos constantemente para não cairmos no mesmo equívoco do esposo que deixava a cadeira fora do lugar e criticava esse comportamento nos colegas.
Como podemos perceber, os ensinos de Jesus são sempre oportunos e atuais, basta que saibamos entendê-los.
Pensemos nisso!
 
 
 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. Fep.
 
 
 

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Com estima e apreço,
Myrna.