quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"Guardemos cuidado para com a importância dos males aparentemente pequeninos. Não é o aguaceiro que arrasa a árvore benemérita. É a praga quase imperceptível que se lhe oculta no cerne. Não é a selvageria da mata que dificulta mais intensamente o avanço do pioneiro. É a pedra no calçado ou o calo no pé. Não é a cerração que desorienta o viajor, antes as veredas que se bifurcam. É a falta da bússola. Não é a mordedura do réptil que extermina a existência de um homem. É a diminuta dose de veneno que ele segrega. Assim, na vida comum. Na maioria das circunstâncias não são as grandes provações que aniquilam a criatura e sim os males supostamente pequeninos, dos quais, muita vez, ela própria escarnece, a se expressarem por ódio, angústia, medo e cólera, que se lhe instalam, sorrateiramente, por dentro do coração." (Emmanuel)



A máscara do mal


 
Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa.
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo as veias dilatadas da fronte, indicando: como é cansativo ser mau!
* * *
Os versos de Bertolt Brecht - importante dramaturgo e poeta alemão do século XX º trazem de uma forma descomprometida, quase ingênua, uma verdade grandiosa.
Certamente ele percebeu, nos traços fortes e sérios daquele rosto, a marca do cansaço, do peso de se carregar um cenho cerrado por tanto tempo.
E quem é capaz de agüentar esse fardo por tanto tempo?...
Carregar a máscara do mal extenua e consome as forças inevitavelmente.
Carregar a máscara do ódio, do ressentimento, da revolta, dilata-nos as veias da fronte; envenena-nos as células; faz adoecer, dia após dia, o corpo e a alma.
O mal é extremamente desconfortável, eis a verdade. Mais uma das razões pelas quais entendemos que ele não tem como prevalecer na Terra.
Embora possa trazer aparentes vantagens num primeiro momento, com o passar do tempo ele nos cansa, nos enfraquece.
A essência do bem, pelo contrário, nos torna mais leves e nos concede prazeres duráveis e autênticos.
Foi-se o tempo em que precisávamos responder violência com violência.
Foi-se o tempo em que o ataque era a melhor defesa, lembrando certas técnicas bélicas tão cultuadas.
Foi-se a era da lei do mais forte.
São chegados os tempos do reino do amor, de colocar em prática, sem medo, o ensino do ofereça a outra face. E a outra face da máscara do mal é a essência do bem, que todos temos em nosso íntimo.
Tal como pedra a ser lapidada, a essência Divina habita a intimidade de nosso Espírito imortal, e aguarda chance de luzir para nunca mais se apagar.
Se, em outras épocas, os guerreiros que mais resistiam aos inimigos eram aqueles que carregavam a máscara do mal, do ódio fulminante, hoje, tal sucesso se dará para os que optarem pelo bem e em nome do bem se opuserem ao mal.
A todo instante caem os guerreiros do mal, entendendo finalmente que o bem há de reinar. E o que parece derrota num primeiro momento, mostra-se como vitória, logo em seguida.
Vitória do homem sobre ele mesmo. Vitória da virtude sobre a imperfeição. Da luz sobre a treva.
Na obra A gênese, Allan Kardec discorre sobre a temática da origem do bem e do mal, e apresenta o seguinte raciocínio:
Deus, todo bondade, pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio.
Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida.
Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio.
Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro.
A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência.



 
Redação do Momento Espírita, com citação do item 7, do cap. III, do livro A gênese, de Allan Kardec, ed. Feb.
 
 
 

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